terça-feira, 29 de abril de 2008

confiança


O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura...
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova...

(Miguel Torga)

emoções



Quando eu estou aqui eu vivo este momento lindo

Olhando prá você e as mesmas emoções sentindo

São tantas já vividas, são momentos que eu não me esqueci

Detalhes de uma vida, histórias que eu contei aqui

Amigos eu ganhei, saudades eu senti partindo

E às vezes eu deixei você me ver chorar sorrindo

Sei tudo que o amor é capaz de me dar

Eu sei já sofri mas não deixo de amar

Se chorei ou se sorri

O importante é que emoções eu vivi

Mas eu estou aqui vivendo esse momento lindo

De frente prá você e as emoções se repetindo

Em paz com a vida e o que ela me traz

Na fé que me faz optimista demais

Se chorei ou se sorri

O importante é que emoções eu vivi


(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)

(hoje acordei com esta música na cabeça, sabem como é;

porque será que nos acontece ouvir por dentro coisas que já há muito tempo não ouvimos por fora?)

domingo, 27 de abril de 2008

todos os ribeiros




todos os ribeiros são fortes
todos os ribeiros cantam
todos os ribeiros são alegres
todos os ribeiros têm vida
todos os ribeiros têm pontes
(menos os pequeninos)
todos os ribeiros têm árvores
(mesmo os pequeninos)

todos os ribeiros correm para a liberdade

magari

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Que c'est triste Venise



Que c'est triste Venise
Au temps des amours mortes
Que c'est triste Venise
Quand on ne s'aime plus
On cherche encore des mots
Mais l'ennui les emporte
On voudrais bien pleurer
Mais on ne le peut plus
Que c'est triste Venise
Lorsque les barcarolles
Ne viennent souligner
Que des silences creux
Et que le coeur se serre
En voyant les gondoles
Abriter le bonheur
Des couples amoureux
Que c'est triste Venise
Au temps des amours mortes
Que c'est triste Venise
Quand on ne s'aime plus
Les musées, les églises
Ouvrent en vain leurs portes
Inutile beauté
Devant nos yeux déçus
Que c'est triste Venise
Le soir sur la lagune
Quand on cherche une main
Que l'on ne vous tend pas
Et que l'on ironise
Devant le clair de lune
Pour tenter d'oublier
Ce qu'on ne se dit pas
Adieu tout les pigeons
Qui nous ont fait escorte
Adieu Pont des Soupirs
Adieu rêves perdus
C'est trop triste Venise
Au temps des amours mortes
C'est trop triste Venise
Quand on ne s'aime plus

(Charles Aznavour)

aos que já amaram
e sofreram por acabar
e continuam a acreditar no amor

terça-feira, 22 de abril de 2008

José Carlos Ary dos Santos


Estrela da Tarde


Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia

Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia

Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia

Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia


Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia

E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria

Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia

Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia


Meu amor, meu amor

Minha estrela da tarde

Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde

Meu amor, meu amor

Eu não tenho a certeza

Se tu és a alegria ou se és a tristeza

Meu amor, meu amor

Eu não tenho a certeza


Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram

Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram

Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram

E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram


Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram

Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam

Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram

E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram


Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto

É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto

Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto

Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto


Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

o outro lado do seu almoço


Suculento naco de bife do lombo, mal passado, condimentado com alho e pimenta preta. A acompanhar, a vida miserável e a morte aterradora do animal... que é agora o seu bife.
Na produção de carne de bovinos, os animais são castrados, os cornos cortados, e o corpo é marcado a ferro quente, tudo sem anestesia. No recintos onde vivem, dezenas de milhares de animais permanecem apinhados em áreas lamacentas, infestadas de moscas e cheias de estrume, onde a tensão os torna susceptíveis à febre e a outras doenças dolorosas e debilitantes. Afastar as moscas pode causar a perda de um a dois quilos por dia. Por isso, os produtores pulverizam regularmente os animais com insecticidas altamente tóxicos.

A engorda
A partir de um ano, os bovinos são alimentados com uma dieta rica em proteínas, afim de garantir um crescimento rápido. Para manter os animais vivos em condições tão difíceis e tão impróprias à sua existência, são administrados antibióticos durante toda a vida do animal.

O transporte
Quando atingido o peso ideal, os animais são transportados em camiões até os matadouros. Frequentemente com brutalidade: levam choques eléctricos de aguilhões, são brutalmente empurrados e arrastados. Podem ser privados de alimento e água e sofrer exposição a condições ambientais difíceis por longos períodos. Os camiões que transportam gado estão sempre superlotados, muitos caem, outros são espezinhados e gravemente lesionados durante o transporte. Outros ainda, morrem durante a viagem por sufocação. Os animais que sofrem traumatismos nas pernas, pélvis ou pescoço são arrastados para fora dos camiões até ao matadouro, onde, muitas vezes, agonizam de dor e chegam a esperar horas para ser abatidos. Animais demasiado doentes para abater na "linha de produção" não recebem eutanásia. São atirados para a "pilha de mortos" e deixados a perecer de doença, sede fome ou hipotermia.

O abate
Mesmo hoje em dia, o processo de abate permanece primitivo e violento. Os animais entram no matadouro um a um. Matadouros mais bem apetrechados, usam um revólver pneumático "atordoador", mas é muito comum a marretada na cabeça, nem sempre certeira. Quando é chegada a hora do abate, os animais são forçados a entrar num corredor estreito. Desesperam-se, tentando fugir, aterrorizados. Sentem o cheiro da morte e recusam-se a prosseguir. Alguns, já sem força, caem. No final do percurso, um por um, são contidos em pequenas boxes e covardemente massacrados. São, então, suspensos (muitas vezes conscientes) por uma das patas traseiras; os músculos rompem devido ao peso do corpo. Na "linha de desmontagem", operários com longas facas cortam a garganta de cada animal, na veia jugular e carótida, deixando-o sangrar, pendurado de cabeça para baixo.

Qualquer adoptante de um cão ou gato, minimamente responsável, sentir-se-ía um verdadeiro criminoso se tratasse o seu animal de estimação como um produtor de leite ou carne trata o seu gado. E no entanto, beber um copo de leite ou comer um bife, é considerado pela maioria dos humanos um acto inocente e até benéfico.
Por mais absurdo que nos pareça, em países onde existe alguma legislação punitiva contra os maus tratos a animais domésticos, se um produtor de carne tratar o seu cão como trata o seu gado, será multado, processado e provavelmente preso. E o seu cão será apreendido.
Os porcos, as vacas e as galinhas experimentam o afecto, o bem-estar, a alegria, a solidão e o medo, como os cães e os gatos e como nós, humanos. São feitos de carne e osso, têm vidas sociais e psicológicas complexas e sentem dor.
Até aqui, nada de novo. No entanto, mais de 900 milhões de mamíferos e aves e biliões de peixes são mortos todos os anos para serem transformados.
A forma como são criados e os métodos utilizados para os matar aterraria qualquer pessoa medianamente equilibrada e compassiva.
A própria terminologia associada a esta indústria (animais para consumo, produção de carne, produção de leite e derivados, indústria dos enchidos), demonstra que cada um de nós integrou serenamente na sua consciência a visão sinistra destes animais como produtos. No nosso quotidiano, não têm mais importância do que batatas ou materiais como a borracha ou o cimento.
Em média, cada português consumidor de carne é responsável, ao longo da sua vida, pelo abuso e morte de mais de 1 500 animais.

muda de vida

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens...que ser assim?...

Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver
Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver

Muda de vida se tu não vives satisfeito

(com consciência, sem culpa)

varrer para debaixo do tapete

O que não chega à consciência reaparece na forma de Destino.

C.G. Jung

quarta-feira, 16 de abril de 2008

o amor no terceiro milénio




Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início desse milénio.
As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.
O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
A ideia de uma pessoa ser o remédio para nossas felicidades, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século.
O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características para se amalgamar ao projeto masculino.

A teoria entre opostos também vem dessa raiz:
O outro tem de saber fazer o que eu não sei.
Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma ideia prática de sobrevivência, e pouco romântica.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso – o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas.
Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras.
O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente fração.
Não é príncipe ou salvador de coisa alguma. É apenas um companheiro
de viagem.
O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando para se adaptar ao mundo que fabricou.
Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo.
O egoísta não tem energia própria, ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.
A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado.
Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades.
E ela só é possível para aqueles que conseguiram trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.
A solidão é boa, ficar sozinho não vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem.
Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nossos modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.
Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.
Todas as pessoas deveriam ficar sòzinhas de vez em quando para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.
Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro.
Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há aconchego, o prazer da companhia e respeito pelo ser amado.


Flávio Gikovate


(ao meu companheiro de viagem, meu aconchego)

árvores

Cada árvore é um ser para ser em nós


Cada árvore é um ser para ser em nós
Para ver uma árvore não basta vê-la
a árvore é uma lenta reverência
uma presença reminiscente
uma habitação perdida
e encontrada
À sombra de uma árvore
o tempo já não é o tempo
mas a magia de um instante que começa sem fim
a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas
e de sombras interiores
nós habitamos a árvore com a nossa respiração
com a da árvore
com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses



António Ramos Rosa







quarta-feira, 9 de abril de 2008

ideais do reiki


Só por hoje não se zangue
Só por hoje não se preocupe
Só por hoje seja grato
Só por hoje dedique-se ao trabalho
Só por hoje seja gentil com todos os seres.



(à Ana Maria, por ter sido o meu farol, à Dra Ana Maria, pelo exemplo de coragem e sabedoria, à Carolina, à Lina e à Maria, pela solidariedade - hoje e sempre a minha gratidão e amizade)

segunda-feira, 7 de abril de 2008

narigudos


dedicado a todos aqueles que corajosamente participaram no assalto ao nariz do mundo

sábado, 5 de abril de 2008

retractação


Hoje reconheci que transporto conceitos muito mal definidos (ou abertos, como preferem os juristas).

O narcicismo, por exemplo. Imaginava os narcísicos elementos raros, algo marginais, claramente identificáveis: podiamos topá-los nas ruas a caminhar de rosto voltado para vidros, espelhos e outras superfícies reflectoras, a começar as frases com a primeira pessoa do singular, com movimento de rotação à volta dum eixo próprio - o umbigo.

Estava errada. Duplamente errada. Quanto ao número e quanto ao modo.

Pois, não são poucos, são muitos e não, não andam de espelho na mão, com olhar perdido e sorriso realizado.

Dando de barato que um baixo grau de narcisismo (saudável, diria um psi, à cautela) todos transportamos, insiro aqui os que não sabem ouvir (os outros), os que não sabem sentir (os outros!), os que não sabem amar (os outros!!).

O narcísico até ouve, sente e ama muito bem, o problema é que isso funciona exclusivamente para si: sente-se, ouve-se e ama-se muito bem.

Sentir os outros, ouvir os outros, amar os outros, exige trabalho.

A capacidade de nos relacionarmos com os outros, sejam amigos, amantes, filhos ou sócios, passa por ouvi-los, amá-los e senti-los. E isso não nasce connosco. Connosco nasce o egoísmo, a preemência da satisfação das nossas fomes, sedes e medos. Depois do nascimento temos de aprender a fazê-lo, sob pena de vivermos a usar o nosso próprio critério como medida universal.

E aí começa o sarilho.

É que a organização da sociedade não está voltada para a aprendizagem destas competências que podemos dizer básicas. Está é voltada para o individualismo e a competição. E esses reforçam os narcísicos.

Daí que hoje, como nunca, haja tantos pequenos e grandes adoradores de si próprios, desde o político prepotente ao opinador pago ou gratuito.

Todos cheios de certezas. Todos incapazes de ouvir, amar e sentir.


Para complicar, entra agora outra palavra e a sua ideia: a individualidade. Não tem nada a ver com o individualismo. Tem a ver com a riqueza interior com que cada um chega ao mundo, com a sua originalidade, com a sua essência interior. E essa é muito bem vinda. Mais, essa é a que temos de desenvolver após o nascimento porque nos vai fortalecer.

Por dar valor à nossa originalidade, damos valor à do outro e este deixa de ser o inimigo a abater. Já não é o concorrente dos afectos, dos espaços, dos tempos que queremos só nossos. É um ser humano que podemos amar, ouvir e sentir. Porque não nos ameaça nem nos põe em causa. Porque sabemos quem somos, que forças e fraquezas temos e porque acreditamos em nós. Sem narcisismo, sem encantamento, sem superioridade.


É um caminho difícil. Muitos ficarão a meio, perdidos de amores pelo seu reflexo e fechados dentro de si. Convencidos da sua verdade e incapazes de amar.




quinta-feira, 3 de abril de 2008

ai! quem me dera ser índia


"Nós sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver.

Para ele um pedaço de terra vale o mesmo que outro, porque ele é um forasteiro que chega na calada da noite e tira da terra tudo o que necessita.

A terra não é sua irmã, mas sua inimiga. Depois de a conquistar, prossegue o seu caminho.

Deixa para trás as sepulturas dos seus antepassados e isso não o incomoda.

Apodera-se das terras dos seus filhos e isso não o inquieta.

Ele considera a terra, sua mãe, e o céu, seu irmão, como objectos que podem ser comprados, saqueados ou vendidos, como ovelhas ou missangas cintilantes.

Na sua voracidade arruinará a terra e deixará atrás de si apenas um deserto."


Seattle, Chefe Índio - 1845

quarta-feira, 2 de abril de 2008

manifesto pela simplificação

Flávio Gikovate considera a existência de 3 estados civis: o solteiro, o mal casado e o bem casado, sendo que o mal casado, cerca de 80% dos casados, se conforma com a sua situação, face às alternativas disponíveis: a mudança ou a solidão.
Gostei!
Num duplo sentido. Concordo com a distinção entre os bem e os mal casados, a percentagem indicada e as razões apontadas.
De facto, o pessoal prefere-se mal acompanhado a só.
Mas a novidade é outra. Finalmente alguém se desinteressou da existência dos outros estados civis até hoje consagrados, o divorciado e o viúvo, apercebendo-se do óbvio: não existem divorciados e viúvos.
O que existe são pessoas que vivem um projecto de vida a sós ou a dois. Uns são solteiros, outros são casados.
Pouco interessa à humanidade que o projecto de vida a sós resulte de opção, ruptura de uma relação ou passamento de um dos elementos.
Mais depressa a sociedade se desinteressou de definir os contornos da situação oposta. Explico: mais depressa deixou de querer saber se os que vivem um projecto a dois estão contratualmente unidos ou se vivem em união de facto. Estão juntos e pronto!
Agora para os outros, os que estão a "a solo", é preciso especificar: solteiros, viúvos ou divorciados?
Tal como o meu querido J. creio que a destrinça é vestígio do passado, ou seja, foi gerada pela religião e pertence exclusivamente a uma ordem moral cada vez mais obsoleta.
À sociedade, aos amigos, a nós próprios, interessa, quando muito, saber: estamos sós ou acompanhados?
Afirmo aqui o direito de todos a ser/estar solteirinho da silva, tal como nasceu.
Se viveu um interregno nesse estado e porque para lá voltou, é do foro privado!
Senão, passe a perguntar-se aos solteiros se já viveram em união de facto e registe-se a circunstância em correspondente estado civil e teremos os ex solteiros ou semi solteiros e os ex unidos de facto ou resolteiros.
... Se é para complicar...

terça-feira, 1 de abril de 2008

revolução da alma

"Ninguém é dono da tua felicidade, por isso não entregues a tua alegria, a tua paz e a tua vida nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém. Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja.
A Razão da tua vida és tu mesmo. A tua paz interior é a tua meta de vida, quando sentires um vazio na alma, quando acreditares que ainda falta algo, mesmo tendo tudo, remete o teu pensamento para os teus desejos mais íntimos e busca a divindade que existe em ti, pára de colocar a tua felicidade cada dia mais distante de ti.
Não coloques um objectivo longe demais das tuas mãos, abraça os que estão ao teu alcance hoje. Se andas desesperado por problemas financeiros, amorosos ou de relacionamentos familiares, busca em teu interior a resposta para te acalmar, tu és reflexo do que pensas diariamente. Pára de pensar mal de ti mesmo e sê o teu melhor amigo sempre.
Sorrir significa aprovar, aceitar, felicitar. Então abre um sorriso para aprovar o mundo que te quer oferecer o melhor. Com um sorriso no rosto as pessoas terão as melhores impressões de ti, e tu estarás afirmando para ti mesmo, que estás "pronto" para ser feliz.
Trabalha, trabalha muito a teu favor. Pára de esperar a felicidade sem esforço. Pára de exigir das pessoas aquilo que nem tu conquistaste ainda. Agradece tudo que está na tua vida neste momento, inclusive a dor. Nossa compreeensão do universo, ainda é muito pequena para julgar o que quer que seja na nossa vida."
(Aristóteles)