quinta-feira, 30 de abril de 2009

as minhas amigas

As minhas amigas são fadas

Azuis, lindas e aladas.

As minhas amigas dão colo

Abraços, risos, magia.

São farol, luz, alegria,

São às cores, meigas, zangadas,

Pequenas, duras, namoradas,

Fortes, quentinhas, macias,

Doces, bonitas e sábias.

Tenho amigas mais de mil,

Negras, brancas e douradas

De olhos doces, fundos, sérios,

E até de duas cores,

Onde guardam os mistérios,

Sonhos, homens e temores.

Tenho amigas mulheres,

Que seguiram seus caminhos,

Dos braços fizeram ninho,

E deram a volta ao mundo,

Até chegarem aqui.

Umas ficaram comigo

Por tempos de luta e dor

Outras partiram contentes

A procurar outras gentes

A descobrir o amor.

Amigas feitas de sonhos,

De querer, de força e fé

Amigas que são para sempre

Irmãs da alma e do tempo

Feitas de lama e de vento

Feitas de sangue e de ferida

Feitas de grito e de morte

Mulheres da vida, do canto,

Da voz rouca, consumida

Mulheres a quem quero tanto

Amigas da minha vida.

Magari

(à Luisinha, meu miosótis,

à Silvana, irmanita,

à Ana Maria, meu farol,

à Filomena, minha amiga,

à Guida, meu amor,

à Célia, mãe das minhas filhas,

à Carla, pelo amor que lhe sobra,

à Otília, pela força e fé,

à Helena, que partilha tudo,

à Aida, que nos bordou no coração,

à Anabela, toda mãe,

à Maria Augusta, afugentadora de corvos,

à Eduarda, eternamente lúcida,

à Cristina, tão forte e tão frágil,

à Glorinha, pequenina e sábia,

à Rosa, pela alegria,

à Amélia, seguidora de sonhos,

à Leonor, pela dança

à Alda, que embala a alma,

à Maria, minha irmã índia,

à Minoo, espelho do sol,

à Verónica, mãe coragem, guardadora de sonhos,

e especialmente hoje, à Minda, Arminda, Mimi, companheira de tantas loucuras)

acção de graça


graças a deus pelo desemparo da infância pois hoje tudo me parece bom
graças a deus pelos braços caidos pois hoje sei saborear abraços
graças a deus pelas faltas sentidas pois hoje tudo me parece farto
graças a deus pelas caras fechadas pois hoje tenho muitos sorrisos
graças a deus pelos gritos pois hoje ganhei a paz do silêncio
graças a deus pela noite pois hoje brilha tranquilo o dia
graças a deus pela solidão pois hoje sei reconhecer amigos
graças a deus pelas coisas difíceis pois hoje tudo me parece fácil
graças a deus pelas grandes tristezas porque hoje amo pequenas alegrias
graças a deus por ter tido pouco pois hoje tudo me parece muito

magari

terça-feira, 28 de abril de 2009

amar o que É

"O amor e a verdade estão unidos entre si, como as faces de uma moeda. É impossível separá-los. São as forças mais abstractas e mais poderosas desse mundo."


Mahatma Gandhi

cidade





Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes, e não vejo
Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.

Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes.

Sophia de Mello Breyner Andresen


segunda-feira, 27 de abril de 2009

sábado, 25 de abril de 2009

sexualidade feminina


A mulher sexualmente livre; a de verdade


Tenho insistido no facto de que a indústria pornográfica nos tem imposto um modelo de mulher que está fundado no fingimento. Têm um comportamento sexual que, mesmo falso, seria o dos sonhos dos homens: aceitam todo o tipo de prática, têm uma postura geral de submissão (ajoelham-se para fazer sexo oral), dão demonstrações ruidosas de prazer, especialmente quando são penetradas. Isso tanto na penetração vaginal como anal. Dizem várias vezes que estão gozando, de modo que estariam tendo orgasmos fáceis em qualquer destas circunstâncias. A submissão chega ao extremo quando elas oferecem a face para que os homens ejaculem.

Não dão sinais de estarem tendo prazer tão intenso quando são os homens que fazem sexo oral nelas. Isso parece ser apenas um dos preliminares, e que acontece sempre de forma um tanto rápida (excepção talvez ao sexo oral que elas fazem neles, mais demorado e cheio de sofisticações).
É tudo muito diferente da vida real, onde homens e mulheres gostam muito dos prolongados beijos na boca, nas carícias manuais por sobre a roupa, da descoberta delicada e pausada das partes dos corpos que vão se mostrando aos poucos. Tudo sempre intercalado com beijos na boca e também em outras partes da cabeça e pescoço.

A realidade é que a grande maioria das mulheres se excita mais facilmente por meio da estimulação do clitóris do que da penetração vaginal ou anal. Os beijos mais ardentes são parte essencial do processo de entrar no clima erótico. São o sinal de que se pode ir adiante. É o modo como o tom romântico caminha para o erótico, completamente diferente. Sim, porque o erótico é mais grosseiro, mais rude, mais “mamífero” e um pouco mais vulgar. Isso é verdade também na realidade e é assim que tem que ser porque a atmosfera romântica encaminha mais na direção da ternura do que do tesão.

A descrição que faço certamente está prejudicada pelos meus olhos masculinos e pelos erros que cometo na empreitada de tentar penetrar na forma como sente uma outra pessoa – e tão diferente, ao menos neste aspecto, como é a mulher do homem. Mas a impressão que tenho é a de que as mulheres de verdade e que são verdadeiramente livres do ponto de vista sexual vão, aos poucos, se entregando à excitação que toma conta delas à medida em que são tocadas. As mulheres são muito sensíveis aos estímulos tácteis, de modo que aquelas que não têm medo e nem freios de outra ordem (ligados, como regra, ao desejo de controlar a relação) vão entrando num clima de entrega, de se deixarem perder naquele amontoado de sensações. Vão se abrindo. Isso pode ou não vir acompanhado de manifestações ruidosas, sendo facto que um volume maior de ruídos não indica obrigatoriamente maior intensidade de sensações.

As mulheres são particularmente sensíveis à estimulação clitoridiana justamente porque lá se encontram terminações nervosas em grande concentração, o que provoca a máxima intensidade da excitação determinada pelos estímulos tácteis. O mesmo não acontece durante a penetração vaginal, órgão essencialmente reprodutor e pobre em terminações nervosas (se a vagina fosse muito inervada, as dores do parto seriam insuportáveis, já que nesta ocasião terá que passar um feto cujo diâmetro da cabeça é de cerca de 15cm). É claro que existem estímulos eróticos que derivam de aspectos simbólicos e não apenas da estimulação nervosa. Assim, uma mulher pode gostar de se sentir penetrada – possuída, como se dizia antigamente – pelo homem que ela gosta.

Este é o momento para reafirmar que todo este processo de se descontrair e de se descontrolar, de se entregar de corpo e alma à estimulação sexual, costuma acontecer apenas quando a mulher está transando com um parceiro que seja pessoa amada; ou então, amiga e conhecida o suficiente para que possa se estabelecer um clima de confiança e segurança a ponto dela se soltar da forma que descrevi. Assim, ainda que o amor não participe intensamente da hora da transa, o facto do parceiro sexual ser o objeto do amor e da confiança aumenta muito as chances de uma mulher conseguir a proeza de se deixar levar por sua excitação sexual.

Acredito que algumas mulheres aprendam a lidar com sua sexualidade de uma forma tão serena e segura que consigam se deixar “embriagar” pela excitação erótica mesmo com um parceiro que mal conhecem. Porém, são poucas. Aliás, são poucas as mulheres que querem efetivamente aprender a serem assim: tão donas de si e de sua sensualidade. A maioria prefere mesmo o relacionamento com parceiro sentimental. Isso tem a ver também com o que acontece no final, quando homens e mulheres saem deste estado de êxtase solitário (sim, porque a intensidade erótica muito intensa nos faz presos a nós mesmos e sem condição de olhar muito para o parceiro) e sentem muito prazer em encontrar a seu lado aquele a quem amam. É bom registrar com ênfase que o vazio relacionado com o fim da relação sexual talvez seja até maior no homem que na mulher. Ou seja, os rapazes que evitam o sexo sem compromisso estão mesmo é pensando no buraco no estômago que irão sentir no final.

Enfim, o que quero passar é que a mulher sexualmente livre “viaja” corajosamente em suas sensações de excitação, experimenta ou não orgasmos (o que não é tão importante quanto se pensa) e depois gosta mesmo é de “aterrisar” no ombro do companheiro querido.

F.Gikovate

quinta-feira, 23 de abril de 2009

definição de amor

“um forte sentimento do gostar recíproco e incondicional”

gostei:
forte (amar é uma atitude, exige presença, trabalho, querer; é forte, pois);
sentimento (aquilo que se sente);
gostar (estar gostosamente);
recíproco (nem podia ser doutro modo, senão era diminuir o outro);
incondicional (sem condições, em liberdade, por pura vontade)

obrigada, Verónica

quarta-feira, 22 de abril de 2009

offer

mankind is no island

terça-feira, 21 de abril de 2009

a mulher no imaginário masculino

Considerações acerca da origem da guerra entre os sexos



Eis aí o ingrediente essencial para o estabelecimento e perpetuação da guerra entre os sexos: a inveja recíproca. Ela contém um elemento agressivo que deve se manifestar de forma subtil e disfarçada; os homens que ressentem muito as mulheres poderão se posicionar como se fossem encantados por elas – o que, de resto, é verdade. A inveja corresponde ao surgimento de reacções agressivas em relação a alguém que admiramos muito justamente por ser portadora de características que também gostaríamos de ter. Assim, nosso sentimento por essa pessoa será sempre ambivalente.



Na prática, tal mistura pode determinar uma conduta masculina muito típica do conquistador: o homem se mostra, sem muita dificuldade, encantado por uma dada mulher; faz de tudo para seduzi-la dando-lhe demonstrações de enorme interesse humano, quando, na verdade, o real interesse é essencialmente sexual; consegue induzi-la à intimidade física e depois desaparece de sua vida, fazendo-a sofrer muito; este último procedimento decorre do ingrediente agressivo, vingativo mesmo. É como se aquela mulher estivesse pagando por todas as outras que lhe despertaram o desejo. Desaparecer depois de seduzi-la é humilhá-la, fazer com que ela sinta dores similares às que ele sentiu quando as mulheres em geral o rejeitaram, especialmente durante os anos da puberdade. Muitos são aqueles que gastam boa parte de sua energia, ao longo de toda a vida adulta, nesse tipo de actividade, na qual não estão buscando apenas prazeres eróticos intensos, mas também tentando resgatar a auto-estima que perderam durante os anos da adolescência.



Reacção das mulheres em relação aos comportamentos masculinos que caracterizam o machismo



Ao perceberem que os homens se sentem diminuídos por desejarem e não serem correspondidos da mesma maneira, elas se empenham ainda mais em se tornar atraentíssimas. Fazem isso com o intuito de chamar-lhes a atenção e agradá-los? Esse ingrediente também está presente, parte do erotismo típico da vaidade; quando imaginam o desejo que irão despertar, poderão se deleitar antecipadamente e até se excitar sexualmente com isso.
Há clara maldade na postura das mulheres que se empenham em se tornar enormemente atraentes, sobretudo quando o objectivo delas é apenas o de provocar o desejo masculino para que eles se sintam humilhados por uma eventual rejeição.



Um outro grupo de moças, nada pequeno, percebe o poder que elas têm aos olhos dos homens, o qual será tanto maior quanto mais forem capazes de se vestir e de se comportar de determinados modos que eles sintam como particularmente excitantes. A excitação que isso lhes causa pode provocar uma certa perturbação íntima, mas aprendem a sentir mais prazer em provocar o desejo do que em sentir qualquer tipo de excitação sexual que não seja aquela derivada do exercício da vaidade. Para elas, despertar o desejo dos homens, tê-los rendidos aos seus pés torna-se o mais importante. Nesse caso, existe o benefício simultâneo de dois componentes do processo: a vaidade e o desejo agressivo; o ingrediente vingativo e invejoso passa a participar activamente do fenómeno sexual. Aliás, é por razões dessa ordem que ainda temos muito que pensar sobre a dramática associação, presente, em doses variadas, em quase todos nós, entre sexualidade e agressividade. Para tais moças, como regra as mais atraentes, o poder sensual se torna um instrumento de dominação, humilhação e uma arma muito poderosa. Sim, porque sabemos o quanto os homens são sensíveis a esse tipo de encanto.




A instrumentalização do poder sensual, executada justamente por um bom número das mulheres mais bonitas, atraentes e que são cobiçadas por muitos homens, acaba por ser percebida pelos mais inteligentes e perspicazes. O que eles fazem? Tratam de sofisticar ainda mais seus poderes e de instrumentalizá-los na mesma medida. Assim, muitos homens vão se apercebendo que só terão acesso a essas mulheres se tiverem boa posição económica, social e profissional. Esforçam-se por conseguir tais distinções e, aparentemente, as oferecem às belas mulheres que tanto os encantam. Na realidade, apenas usam seus sucessos como uma espécie de "chamariz", da mesma forma que elas se utilizam da beleza. Mostram o que têm, mas não dão nada. Levam as belas moças para passear nos seus lindos carros, lhes dão "presentinhos" de valor duvidoso e tratam de, através de seus poderes, seduzi-las a partir da hipótese de que não é impossível que consigam conquistar um homem assim, um "vencedor". Eles, na verdade, buscam o sucesso essencialmente com o intuito de melhorar sua posição nesse jogo de poder que se estabelece em relação às mulheres mais belas; depois, querem mesmo é envolvê-las, ter a intimidade física desejada para, logo em seguida, rejeitá-las e humilhá-las. Elas aperfeiçoam suas armas por um lado e eles fazem o mesmo por outro.



Um número nada desprezível de homens pode reagir de forma diferente diante da instrumentalização da sexualidade feminina: inibem o desejo em relação a elas. Tal inibição poderá determinar uma variedade de sintomas que chamamos de impotência sexual, sobre os quais temos que reflectir mais profundamente, uma vez que podem muito bem ser explicados por razões lógicas e até mesmo plausíveis e não sempre como uma patologia.



A inveja recíproca só cresce, assim como as hostilidades. Tudo fica camuflado por uma aparente disposição de natureza romântica entre homens e mulheres, sendo que o que realmente está em vigor é uma terrível luta pelo poder. Não creio que se possa sequer pensar em ingredientes amorosos em tais condições – e que, na prática, corresponde apenas a um dos ingredientes que envolvem essa complexa condição de relacionamento entre os sexos. Nem mesmo se pode pensar em importantes ingredientes eróticos, uma vez que o elemento fundamental envolvido é mesmo o de natureza agressiva.




Minha intenção principal foi mostrar, a partir dessa sumaríssima descrição, como todos nós, homens e mulheres, nos perdemos de nós mesmos e, em virtude da forma como internalizamos e sentimos essa diferença na natureza da nossa sexualidade, nos tornamos escravos uns dos outros. Na realidade, nessa guerra, como em tantas outras, não existem vencedores e vencidos. Todos perdemos. Nos afastamos de nós mesmos, passamos a nos preocupar mais do que deveríamos com o que os outros pensam sobre nós e, em especial, os do sexo oposto. Homens e mulheres não buscam suas identidades, não podem se encontrar consigo mesmos e com suas verdadeiras pretensões. Se tornam escravos dessa diferença sexual mal equacionada e mal aceita; além disso, perdem o contacto com o sexo como fonte de puro prazer. A grande verdade é que, em nossa espécie, o sexo está associado à agressividade de uma forma muito mais categórica do que ao amor.




(F. Gikovate - "reflexões sobre o feminino")

alguns modos de ser das mulheres

A verdade é que existem 2 grandes grupos de mulheres: as que se apresentam socialmente de forma recatada; e aquelas que se colocam de forma ostensivamente exibicionista, tratando de atiçar o desejo masculino. Não saberia dizer qual a percentagem de cada um destes grupos, mas é provável que entre as mais belas predominem as do segundo grupo e que muitas das mais recatadas ajam assim por estarem convencidas de que não serão capazes de provocar o desejo masculino.

Entre as que se colocam de forma recatada existem, além das que se consideram desprovidas de predicados para agirem de forma exibicionista, as que aprenderam a se colocar desta forma por quererem ser vistas como moças sérias e que só estão mesmo interessadas em compromissos sérios. Elas mantêm uma certa ingenuidade em relação ao poder sensual feminino. São, de fato, ingénuas. São poucas e muitos homens pensam que as mulheres em geral desconhecem o poder que elas têm de despertar o desejo masculino (tantos homens já falaram coisas do tipo “- ah, se as mulheres soubessem o poder que têm!”). Outras, também recatadas, sabem muito bem que são dotadas deste poder, mas consideram imoral ou perigoso exercê-lo. Imoral, porque não acham legítimo provocar o desejo e depois não terem o menor interesse em satisfazê-lo. Perigoso, porque poderão ser objecto do assédio activo de alguns homens contra os quais se reconhecem indefesas. A maior parte das mulheres recatadas é moralmente bem constituída e parece não estar disposta a se beneficiar de uma vantagem que tem, mas que não fez nada para merecer.

As mais exibidas também são de dois grupos: as que usam e abusam do poder sensual que têm; e as que sabem do poder, gostam da gratificação à vaidade que o exibicionismo determina, mas, apesar disso, não estão interessadas em fazer um uso malévolo dele. As primeiras deste grupo correspondem às mulheres egoístas, aquelas que abriram mão do prazer erótico (sim, porque são mulheres geralmente incompetentes para o prazer orgástico) e transformaram sua sensualidade em arma de dominação, de humilhar os homens e de extrair vantagens nas relações com eles. Pode ser que usem o discurso romântico, podem dizer que estão atrás de um grande amor, podem dizer o que quiserem. A verdade é que são mulheres poderosas e que estão querendo negociar este poder por dinheiro. Isso de forma directa ou indirecta. Estão mesmo é atrás de homens poderosos e ricos, a quem pretendem subjugar e extrair vantagens de todo o tipo. Os homens que aceitam conviver com estas mulheres o fazem por vaidade, pelo fato de se sentirem muito bem socialmente ao lado de beldades cobiçadas por tantos outros.

As que gostam de se exibir, mas procuram mesmo um relacionamento de qualidade, que têm carácter e estão em busca de relacionamentos estáveis, vivem uma condição complicada e dramática. Os homens são atraídos por elas, mas muitas vezes têm medo de se aproximar. Os que se aproximam costumam ser os mais cafajestes, mais caras-de-pau. Estes são os que só estão atrás de intimidades eróticas.

Não tenho a menor pretensão de ter esgotado o tema da multiplicidade feminina. Não acho que as mulheres são todas iguais e nem que os homens sejam todos do mesmo tipo. Agora, penso que há mais tipos femininos e que muitas mulheres são confusas acerca do que querem para si. Os homens são sim mais simples e mais fáceis: querem se dar bem na vida tanto porque isso é bom para sua auto-estima e para sua vaidade como porque este é o caminho para se sentirem com condições para terem acesso à mulher dos seus sonhos. À mulher, para os românticos; às mulheres para os mais eróticos.

(F. Gikovate)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

crise?

Estamos a viver um momento que contém uma GRANDE MENTIRA, criada para nos manter com medo, sem nos permitir desfrutar das iminentes mudanças e transformações na nossa sociedade que estamos a testemunhar.

Falemos de Crise Económica.
De quem é a crise? Crise de quê?
A verdadeira crise nasce da absurda manipulação do dinheiro.
Se querem saber disto, recomendo que vejam “ZEITGEIST – ADDENDUM”, um filme que nos mostra a realidade do sistema financeiro, absolutamente ignorado pelas massas.

Na realidade, o dinheiro que devemos não existe.

Os bancos emprestam-nos papéis sem um real valor material. O engraçado é que esse valor real é ficcionado quando nós não podemos pagar as dívidas e nos tiram os nossos bens. Só aí é que os bancos ficam a ter bens reais.

A verdade é que a crise é apenas das pessoas que têm a abundância virtual. Os que chamamos ricos porque têm o dinheiro e as acções virtuais, algumas propriedades no mundo que, caso não tenham petróleo para fazer andar os seus aviões, não podem desfrutar.

Os ricos não possuem o conhecimento para semear as suas terras e ser independentes. A maioria nem sabe lavar as suas roupas, fazer as suas camas, podar as plantas. Uma grande quantidade de ricos não sabe sequer cozinhar ou acender uma fogueira.

Na sua imensa maioria, não têm habilidades manuais para utilizar o intercâmbio de bens criados por si. Não pintam, não lavam, não escrevem, não conhecem quem lhes prepara os alimentos, muitas vezes nem conduzem, e as mulheres ricas não amamentam, não mudam uma fralda, não dão banho, nem sequer sabem parir. Porque estamos nós tão assustados com a sua crise?

Quando o dinheiro deixar de circular, a escassez vai ser sentida nas grandes cidades que não têm acesso ao campo, onde ninguém conhece o vizinho, onde ninguém funciona sem máquinas.

E os outros? Nós? Será que paralisamos por falta de um fogão a gás? Não creio.

Saberemos fazer fogo e se não soubermos nós, sabe o nosso amigo ou o primo, sempre há um familiar com terras, com jardins, tias ou avós com plantas em vasos, sempre haverá quem tenha milho ou trigo, sempre haverá um moinho.

Sabemos criar tecnologia útil com despojos, sabemos apanhar fruta da árvore, as nossas avós sabem utilizar as plantas como remédios, conhecemos o vizinho, a senhora da mercearia, ou quem tenha uma horta em casa.

Tudo o que nos toca agora é Ser Humanos.
Criar laços, criar coisas, voltar o nosso olhar para a terra, os olhos, os sorrisos e a confiança.

Porque tememos caminhar de noite?
Porque ninguém no bairro nos conhece, porque não temos em quem confiar, porque fomos ensinados que todos são nossos inimigos, nossos adversários.

Nós não somos máquinas, não comemos petróleo, somos seres sociais, queremos explorar as possibilidades do amor em todas as manifestações possíveis.

Somos seres que requeremos abraços, olhares, calor humano, sorrisos, confiança… somos mamíferos…a única crise que estamos a viver é o afastamento da nossa natureza.
Todos ouvem dizer que estamos em tempos previstos por muitas culturas ancestrais como sendo de mudança e muito diferente do que nos têm dito os meios de comunicação social.
Longe das tragédias e catástrofes de que nos falam.

Uma mudança de consciência iminente, um despertar do nosso potencial adormecido:
Começaremos a utilizar os restantes 90% da capacidade cerebral,
Começaremos a conectar milhões de neurónios,
Começaremos a iluminar todo o nosso ADN.,
Começaremos a perceber muitas realidades paralelas,
Começaremos a utilizar a nossa biotecnologia interna, que até hoje ignoramos.

A crise não é nossa.
Toda a crise é uma porta para a mudança.
E vejamos… na nossa cultura o poder traz felicidade?
A maioria das pessoas que conhecemos está feliz com o seu trabalho, com a sua vida?
Quantas pessoas adoecem por stress, tensão?
Gostamos do ritmo de vida que nos impõe o sistema financeiro?
Gostamos de ter de pagar por todos os serviços básicos?
Gostamos de viver em lugares onde o lixo é mais abundante que as flores e onde há mais carros que árvores?
Gostamos de ter de pagar para nos sentir seguros?
Para nascer?
Para morrer?
Gostamos de ser escravos de um sistema que nos leva constantemente à frustração e à impotência?

Então, porque nos assusta a crise?

Devíamos era celebrar!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

e nasce de novo o dia

Vê como te sentes quando acordas de manhã.

Assustas-te ainda antes de te levantares da cama, antes de dar a 1ª profunda e consciente inspiração?

Atemorizas-te com o dia que tens pela frente, as contas, as tarefas, as relações?

Duvidas da tua saúde e capacidade?

Ou levantas-te com uma canção e a respiração livre, sem lutar com o dia?

A cantar a canção da alegria de ser e estar, ser humano nesta Terra, estar vivo para as relações, boas e más, porque todas nos ensinam, todas nos melhoram.

Qual é a tua escolha?

O mundo do caos e do drama ou o mundo da oportunidade e da alegria?

O mundo da luta ou o mundo da abundância, para onde podes trazer os teus sonhos e torná-los reais?


magari

quarta-feira, 15 de abril de 2009

terça-feira, 14 de abril de 2009

starry night


"It is better to be high-spirited even though one makes more mistakes, than to be narrow-minded and all too prudent." —Vincent van Gogh

quinta-feira, 9 de abril de 2009

merkaba

Mer = luz
Ka = espírito
Ba = corpo

Espírito-Corpo contornado por campos contra-rotativos de luz


por Bruno/Silvana


No antigo Egipto, Atlântida e Lemúria, a Merkaba era entendida como o veículo de transporte do Espírito-Corpo para outras dimensões, utilizando-se técnicas de meditação e respiração que permitiam a transformação do corpo físico em luz.

Esse campo de energia luminosa em torno do nosso corpo, que obedece a formas geométricas sagradas, é activado pela energia amorosa e pela projecção do pensamento, proporcionando a cada indivíduo a evolução espiritual necessária para atingir o plano ascencional.

dia de Hanuman Jayanti

em 15 Chaitra (lua cheia)o hinduísmo celebra o herói mitológico que ajudou o deus rama contra o demónio Ravana

feliz Pessach

Passover 2009

In 2009 Passover begins at sundown on Wednesday April 8 and ends at nightfall on Thursday April 16 in the Diaspora (Wednesday April 15 in Israel).




O 15 de Nissan é a festa mais importante do Judaísmo, em que se celebra a libertação do povo judeu da escravidão do Egipto.
Decorre durante uma semana.

feliz Amitabha

9 de abril
Ano Novo - tradição Theravada
data da Iluminação de Shakyamuni, o Buda histórico


Algumas pessoas dizem que enviar cartões desejando Feliz Ano Novo é uma simples formalidade. Para mim, não é uma formalidade. É uma ocasião importante e oportuna para cumprimentar muitos amigos. Para mim, é uma época muito feliz. Tenho negligenciado muitos amigos durante o ano, sem lhes escrever ou telefonar e gostaria de visitá-los pelo menos uma vez, no Ano Novo, para dizer olá ou enviar cumprimentos a fim de que eles saibam que estamos todos bem.

Muitas pessoas me mandam cartões. Cada cartão traz um cumprimento agradável e é realmente uma alegria recebê-los. Há pessoas que avisam que se mudaram e outros informam mais um nascimento na família ou a perda de unte querido. Este ano, enviei mais de mil cartões. Embora minha filha tenha me ajudado, dei a cada um deles tanta atenção como se estivesse visitando meus amigos pessoalmente. Meu pensamento estava com eles. É uma época maravilhosa, uma ocasião excelente para se enviar cartões de saudação.

O Ano Novo só chega para aqueles que lhe dão as boas-vindas. Afinal de contas, somos nós que fazemos um novo ano. Ele está na nossa cultura; está na nossa mente. Existem diferentes Anos Novos, tais como o Ano Novo chinês e o Ano Novo judaico, cada um de acordo com suas próprias tradições. A menos que nós o criemos, o Ano Novo não existe. Não acho que exista um Ano Novo na vida de um cachorro. Por isso, não devemos assumir que o Ano Novo é uma simples formalidade. Devemos fazer dele um novo ano, fazer dele uma coisa importante.

Hoje em dia, estou muito sensível à cordialidade. Houve épocas em que me sensibilizei com a justiça; outras, em que eu era sensível à razão e à racionalidade, e, às vezes, pensei em dinheiro e saúde. Estas coisas são importantes, disso não há a menor dúvida. Mas, hoje, sinto um anseio profundo pela cordialidade da vida. Este ano, meus dois poemas de Ano Novo são:

Com um coração cordial,
Junto às pessoas
Eu seguirei em frente.
Ah! Este bom ano!

Mais que o dinheiro, mais que a razão,
Mais que tudo nesta vida,
Como anseio por um cordial coração humano!

É a cordialidade que faz a vida desabrochar. O falecido Dr. Kuki disse certa vez que se tornou budista porque a vida de um budista é cheia de cordialidade. Quando leio os relatos e ensinamentos de Buda Gautama[1], vejo que mais pessoas se tornaram seus discípulos por causa de sua profunda compreensão e cordialidade do que por sua lógica ou racionalidade convincentes. É por isso que não existem missionários propagando o budismo. O mais importante é que cada budista viva sua boa vida budista.

Outro pensamento para o Ano Novo é o caminho do “deixar ir”, do desapego. Agarramo-nos demais a muitas coisas. Criamos dificuldades, tensões e problemas porque somos muito possessivos e apegados. Precisamos aprender a doutrina do desapego e do “deixar ir”. “Deixar ir” não que dizer descuido ou negligência, assim como desapego não quer dizer indiferença ou distanciamento. É apenas libertar-se dos apegos e da possessividade.

Quando você fizer alguma coisa, faça-a com todas as suas forças. Ponha a sua vida nela. Mas não a possua nem se deixe possuir por ela. Não se agarre a ela. Quando ela estiver concluída, deixe-a ir.

Muitas mães matam seus filhos únicos por causa de um amor aferrado ou possessivo. A mãe deve deixar o filho ir quando ele estiver crescido, assim como os filhotes são afastados pela mãe leoa. Os amantes devem amar, mas não ser proprietários um do outro; quando o amor se transforma em propriedade, está arruinado. O dinheiro é uma coisa maravilhosa e muito importante na vida moderna, mas, quando um indivíduo se agarra a ele, torna-se avarento; e quando se está possuído pelo dinheiro, não existe vida. Se nos agarramos à oposição, ela se transforma em raiva. Se nos agarramos ao bem-estar, ele se transforma em avidez.

É muito fácil aferrar-se às palavras e ações que os outros disseram e fizeram no passado; com isso criamos problemas. Agarramo-nos ao passado e negligenciamos o presente. O mundo e a vida estão continuamente mudando; e assim, em vez de nos apegar ao passado, devemos viver uma vida nova e revigorada a cada dia. E tampouco devemos nos agarrar ao futuro e negligenciar o presente, porque o futuro é desconhecido e ainda está por vir. Devemos viver o máximo no presente.

Em última análise, todas as coisas neste mundo e nesta vida surgem e se vão à vontade delas. Permita que o Caminho dirija os caminhos e deixe ir seus próprios apegos. Esta é a maior das libertações. Nem mesmo à vida devemos nos apegar, mas deixá-la ir, e então seremos capazes de viver livremente. Muitas mortes foram transcendidas pelo desapego.

Estes são os meus pensamentos para o Ano Novo.

Rev. Gyomay M. Kubose




[1] Sidarta Gautama, o Buda (Iluminado, Desperto, Acordado), também conhecido como Shakyamuni (O Sábio do Povo dos Shákyas), a quem é atribuída a fundação do Budismo.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

se os tubarões fossem homens

Se os tubarões fossem homens, perguntou a filha de sua senhoria ao senhor K., seriam eles mais amáveis para com os peixinhos?

Certamente, respondeu o Sr. K. Se os tubarões fossem homens, construiriam no mar grandes gaiolas para os peixes pequenos, com todo tipo de alimento, tanto animal quanto vegetal. Cuidariam para que as gaiolas tivessem sempre água fresca e adoptariam todas as medidas sanitárias adequadas. Se, por exemplo, um peixinho ferisse a barbatana, ser-lhe-ia imediatamente aplicado um curativo para que não morresse antes do tempo.

Para que os peixinhos não ficassem melancólicos haveria grandes festas aquáticas de vez em quando, pois os peixinhos alegres têm melhor sabor do que os tristes. Naturalmente haveria também escolas nas gaiolas. Nessas escolas os peixinhos aprenderiam como nadar alegremente em direcção à goela dos tubarões. Precisariam saber geografia, por exemplo, para localizar os grandes tubarões que vagueiam descansadamente pelo mar.

O mais importante seria, naturalmente, a formação moral dos peixinhos. Eles seriam informados de que nada existe de mais belo e mais sublime do que um peixinho que se sacrifica contente, e que todos deveriam crer nos tubarões, sobretudo quando dissessem que cuidam de sua felicidade futura. Os peixinhos saberiam que este futuro só estaria assegurado se estudassem docilmente. Acima de tudo, os peixinhos deveriam rejeitar toda tendência baixa, materialista, egoísta e marxista, e denunciar imediatamente aos tubarões aqueles que apresentassem tais tendências.

Se os tubarões fossem homens, naturalmente fariam guerras entre si, para conquistar gaiolas e peixinhos estrangeiros. Nessas guerras eles fariam lutar os seus peixinhos, e lhes ensinariam que há uma enorme diferença entre eles e os peixinhos dos outros tubarões. Os peixinhos, proclamariam, são notoriamente mudos, mas silenciam em línguas diferentes, e por isso não se podem entender entre si. Cada peixinho que matasse alguns outros na guerra, os inimigos que silenciam em outra língua, seria condecorado com uma pequena medalha de sargaço e receberia uma comenda de herói.

Se os tubarões fossem homens também haveria arte entre eles, naturalmente. Haveria belos quadros, representando os dentes dos tubarões em cores magníficas, e as suas goelas como jardins onde se brinca deliciosamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam valorosos peixinhos a nadarem com entusiasmo rumo às gargantas dos tubarões. E a música seria tão bela que, sob os seus acordes, todos os peixinhos, como orquestra afinada, a sonhar, embalados nos pensamentos mais sublimes, precipitar-se-iam nas goelas dos tubarões.

Também não faltaria uma religião, se os tubarões fossem homens. Ela ensinaria que a verdadeira vida dos peixinhos começa no paraíso, ou seja, na barriga dos tubarões.

Se os tubarões fossem homens também acabaria a ideia de que todos os peixinhos são iguais entre si. Alguns deles se tornariam funcionários e seriam colocados acima dos outros. Aqueles ligeiramente maiores até poderiam comer os menores. Isso seria agradável para os tubarões, pois eles, mais frequentemente, teriam bocados maiores para comer. E os peixinhos maiores detentores de cargos, cuidariam da ordem interna entre os peixinhos, tornando-se professores, oficiais, polícias, construtores de gaiolas, etc.

Em suma, se os tubarões fossem homens haveria uma civilização no mar.

Este conto encontra-se em: "http://resistir.info/"

quarta-feira, 1 de abril de 2009

demitidos

La liberté n'est pas l'absence d'engagement, mais la capacité de choisir.