9 de abril
Ano Novo - tradição Theravada
data da Iluminação de Shakyamuni, o Buda histórico
Algumas pessoas dizem que enviar cartões desejando Feliz Ano Novo é uma simples formalidade. Para mim, não é uma formalidade. É uma ocasião importante e oportuna para cumprimentar muitos amigos. Para mim, é uma época muito feliz. Tenho negligenciado muitos amigos durante o ano, sem lhes escrever ou telefonar e gostaria de visitá-los pelo menos uma vez, no Ano Novo, para dizer olá ou enviar cumprimentos a fim de que eles saibam que estamos todos bem.
Muitas pessoas me mandam cartões. Cada cartão traz um cumprimento agradável e é realmente uma alegria recebê-los. Há pessoas que avisam que se mudaram e outros informam mais um nascimento na família ou a perda de unte querido. Este ano, enviei mais de mil cartões. Embora minha filha tenha me ajudado, dei a cada um deles tanta atenção como se estivesse visitando meus amigos pessoalmente. Meu pensamento estava com eles. É uma época maravilhosa, uma ocasião excelente para se enviar cartões de saudação.
O Ano Novo só chega para aqueles que lhe dão as boas-vindas. Afinal de contas, somos nós que fazemos um novo ano. Ele está na nossa cultura; está na nossa mente. Existem diferentes Anos Novos, tais como o Ano Novo chinês e o Ano Novo judaico, cada um de acordo com suas próprias tradições. A menos que nós o criemos, o Ano Novo não existe. Não acho que exista um Ano Novo na vida de um cachorro. Por isso, não devemos assumir que o Ano Novo é uma simples formalidade. Devemos fazer dele um novo ano, fazer dele uma coisa importante.
Hoje em dia, estou muito sensível à cordialidade. Houve épocas em que me sensibilizei com a justiça; outras, em que eu era sensível à razão e à racionalidade, e, às vezes, pensei em dinheiro e saúde. Estas coisas são importantes, disso não há a menor dúvida. Mas, hoje, sinto um anseio profundo pela cordialidade da vida. Este ano, meus dois poemas de Ano Novo são:
Com um coração cordial,
Junto às pessoas
Eu seguirei em frente.
Ah! Este bom ano!
Mais que o dinheiro, mais que a razão,
Mais que tudo nesta vida,
Como anseio por um cordial coração humano!
É a cordialidade que faz a vida desabrochar. O falecido Dr. Kuki disse certa vez que se tornou budista porque a vida de um budista é cheia de cordialidade. Quando leio os relatos e ensinamentos de Buda Gautama[1], vejo que mais pessoas se tornaram seus discípulos por causa de sua profunda compreensão e cordialidade do que por sua lógica ou racionalidade convincentes. É por isso que não existem missionários propagando o budismo. O mais importante é que cada budista viva sua boa vida budista.
Outro pensamento para o Ano Novo é o caminho do “deixar ir”, do desapego. Agarramo-nos demais a muitas coisas. Criamos dificuldades, tensões e problemas porque somos muito possessivos e apegados. Precisamos aprender a doutrina do desapego e do “deixar ir”. “Deixar ir” não que dizer descuido ou negligência, assim como desapego não quer dizer indiferença ou distanciamento. É apenas libertar-se dos apegos e da possessividade.
Quando você fizer alguma coisa, faça-a com todas as suas forças. Ponha a sua vida nela. Mas não a possua nem se deixe possuir por ela. Não se agarre a ela. Quando ela estiver concluída, deixe-a ir.
Muitas mães matam seus filhos únicos por causa de um amor aferrado ou possessivo. A mãe deve deixar o filho ir quando ele estiver crescido, assim como os filhotes são afastados pela mãe leoa. Os amantes devem amar, mas não ser proprietários um do outro; quando o amor se transforma em propriedade, está arruinado. O dinheiro é uma coisa maravilhosa e muito importante na vida moderna, mas, quando um indivíduo se agarra a ele, torna-se avarento; e quando se está possuído pelo dinheiro, não existe vida. Se nos agarramos à oposição, ela se transforma em raiva. Se nos agarramos ao bem-estar, ele se transforma em avidez.
É muito fácil aferrar-se às palavras e ações que os outros disseram e fizeram no passado; com isso criamos problemas. Agarramo-nos ao passado e negligenciamos o presente. O mundo e a vida estão continuamente mudando; e assim, em vez de nos apegar ao passado, devemos viver uma vida nova e revigorada a cada dia. E tampouco devemos nos agarrar ao futuro e negligenciar o presente, porque o futuro é desconhecido e ainda está por vir. Devemos viver o máximo no presente.
Em última análise, todas as coisas neste mundo e nesta vida surgem e se vão à vontade delas. Permita que o Caminho dirija os caminhos e deixe ir seus próprios apegos. Esta é a maior das libertações. Nem mesmo à vida devemos nos apegar, mas deixá-la ir, e então seremos capazes de viver livremente. Muitas mortes foram transcendidas pelo desapego.
Estes são os meus pensamentos para o Ano Novo.
Rev. Gyomay M. Kubose
[1] Sidarta Gautama, o Buda (Iluminado, Desperto, Acordado), também conhecido como Shakyamuni (O Sábio do Povo dos Shákyas), a quem é atribuída a fundação do Budismo.
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