domingo, 29 de março de 2009

travessia



Quando você foi embora, fez-se noite em meu viver


Forte eu sou, mas não tem jeito


Hoje eu tenho que chorar


Minha casa não é minha e nem é meu este lugar


Estou só e não existo, muito tenho pra falar


Solto a voz nas estradas, já não quero parar


Meu caminho é de pedra, como posso sonhar?


Sonho feito de brisa, vento vem terminar


Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar




Vou seguindo pela vida me esquecendo de você


Eu não quero mais a morte, tenho muito que viver


Vou querer amar de novo


E se não der, não vou sofrer


Já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver

sábado, 28 de março de 2009

raiva ou tempo


Quando a vida nos frusta as expectativas, quando há uma ruptura, uma mudança de cenário, podemos optar entre dois caminhos. O da raiva e o do tempo.

Experimentei o da raiva várias vezes. Culpava o outro, olhava para a situação não como uma aprendizagem mas com mágoa. Aconteciam-me coisas más, eu não o merecia, era uma injustiça. Ficava paralisada de raiva. Adoecia. Olhava o passado com ódio. Era bom, porque me ajudava a desprender do meu projecto, da minha vontade. O ódio é óptimo para criar desprezo, afastamento. Assim, não era eu que perdia. Era eu que já não queria aquilo.

E há o tempo.

O tempo não permite anestesias, decisões imediatas, saídas triunfantes de desprezo e portas orgulhosamente batidas com estrondo.

O tempo tem o seu andamento, o seu ritmo. Não podemos apressá-lo, nem fazer-lhe exigências. Temos de esperar por ele.

O tempo precisa de calma, serenidade, para oferecer distância e paz de espírito.

O tempo precisa de reconhecimento, espera e capacidade de olhar para dentro.

Precisa do compasso da natureza para se orientar. Inverno e verão, primavera e outono. Noite e dia. Início e fim.

A esperar pelo tempo, acabamos por perceber que o dia nasce noite escura, que as primeiras folhas caem em pleno agosto, que todo o fim começou no primeiro momento.

Assim, um novo dia começa à meia noite, o inverno anuncia-se no verão e o início caminha para o seu fim.

Não é rápido, mas reforçamo-nos muito mais que com a raiva, desgastante, exigente, perturbadora.



magari

a vida é para partilhar

quarta-feira, 25 de março de 2009

fala do homem nascido



Venho da terra assombrada

do ventre de minha mãe

não pretendo roubar nada

nem fazer mal a ninguém


Só quero o que me é devido

por me trazerem aqui

que eu nem sequer fui ouvido

no acto de que nasci


Trago boca pra comer

e olhos pra desejar

tenho pressa de viver

que a vida é água a correr


Venho do fundo do tempo

não tenho tempo a perder

minha barca aparelhada

solta rumo ao norte

meu desejo é passaporte

para a fronteira fechada


Não há ventos que não prestem

nem marés que não convenham

nem forças que me molestem

correntes que me detenham


Quero eu e a natureza

que a natureza sou eu

e as forças da natureza

nunca ninguém as venceu


Com licença com licença

que a barca se fez ao mar

não há poder que me vença

mesmo morto hei-de passar

com licença com licença

com rumo à estrela polar


António Gedeão

sábado, 21 de março de 2009

dia mundial da poesia


SONETO DE SEPARAÇÃO

Vinícius de Morais

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


dia da primavera, da poesia, da água e da árvore,

da separação e do renascimento,

do fim e do começo,

também do novo ano baha`i.

que assim seja


quinta-feira, 19 de março de 2009

was what I was talking

"Quando uma pessoa se sente insatisfeita, a impressão que permanece no seu peito é a de que algo não está bem. Fica sempre uma dúvida. É um sentimento de falta, de que algo não está completo, de que é preciso completar o que falta.

Essa vontade incessante de plenitude, essa tentativa de estar bem, é o que faz essa pessoa correr, e enquanto não consegue cumprir tudo o que pensa que tem de cumprir, não descansa. E é essa agitação que vai provocando mais actividade - no sentido de se fazer tudo o que se pensa que deve ser feito - e, consequentemente, mais insatisfação. E será que não seria altura de parar, interiorizar e procurar a causa da insatisfação?

A plenitude já não é assim. Ela não corre. Ela não foge para a frente. Ela não foge para fora de si própria. Quem está pleno sente que nada tem de fazer, basta apenas concentrar-se em ser. Ao não pensar em fazer, ao não pensar no que "tem de fazer", ao concentrar-se apenas em "estar", o ser fica assim livre de exigências, livre de culpa."

quarta-feira, 18 de março de 2009

another day

levantar às 7. fazer o pequeno almoço, tomar banho, dar os recados para o almoço, lanches e alguns avisos, levar a miúda à escola.
seguir para a A11, fazer 60 km.

às 9h estou no trabalho; verifico tarefas para 14 pessoas, enfrento 6 emergências, as 23 mensagens no e-mail, uma reunião de 1 hora com o chefe, almoço de meia hora; volto, despeço-me do sol, tomo um café, despacho 2 processos, fixo os meus objectivos para a avaliação de desempenho de 2009, atendo duas associações e preparo a mudança de posição remuneratória de 10 pessoas; tomo um chá, enquanto volto ao e-mail, para responder às mensagens;
reunião com os colaboradores todos, há uma alteração legislativa mal compreendida; assino a correspondência em papel e volto para a A11, para mais 60 km;
às 7 estou à porta do lar; beijo rápido na Dores que conta uma história confusa de parentes enquanto meto a avó no carro; encomendo aos céus um estacionamento próximo e, claro, ele aparece; balcão de atendimento na clínica, sala de espera, gabinete, sair, pagar, atender o telemóvel, que já tinha tocado 4 vezes, agora eu não posso falar;
levar a avó de volta, beijo rápido na Zefinha, sempre amorosa, deixar recado à Irmã, abraço na avó, que repete incessantemente os mesmos recados;
regresso a casa, fazer uma chamada, pelo caminho, agora não pode ele atender; fazer o jantar, pôr louça na máquina, pôr roupa na máquina, levar a cadela à rua, atender o telefone, jantar, passar tempo de qualidade com as miúdas;
voltar a sair às 9h, levar a miúda ao ensaio, passar pelo hipermercado, rezar por um estacionamento, ganhar um ao pé das escadas rolantes;
correr os corredores, encher um carro, trazer 2 sacolas imensas para o carro; voltar atrás para ir ao multibanco;
voltar para casa, arrumar as compras, fazer pão, levar a cadela à rua outra vez, passar tempo de qualidade com a filha, sair às 11, para ir buscar a outra;
voltar a casa às 11,20 e relaxar…

engenho, vontade e arte


Le seul Orchestre Symphonique de RDC à Kinshasa

Absolutamente fantástico, absolutamente comovente!

quarta-feira, 11 de março de 2009

terça-feira, 3 de março de 2009

um dia na sagrada montanha





pela tua hospitalidade e carinho
pelo tempo de união e eucaristia
pela amizade e visão partilhadas
ficaremos sempre contigo