"Nada nos faz envelhecer mais depressa do que pensar incessantemente que nos tornamos velhos"
lichtenberg
Há manipulação e auto-convencimento, o filósofo fala do segundo, eu estive a pensar no primeiro.
Os dois falam das duas maiores ameaças à auto-determinação.
"Quem cresceu numa família em que todos eram manipulados através da culpa, porventura manteve esse sentimento ao longa da vida adulta. Eventualmente será o género de pessoa que pede desculpa o tempo inteiro e que não sabe falar sem ser por rodeios. Essas pessoas sentem que têm de manipular de algum modo para conseguir obter aquilo que desejam.
A crítica deita-as abaixo.
A culpa fá-las sentir inferiores.
Vivem debaixo de uma nuvem de culpabilidade. Há sempre qualquer coisa errada, ou não estão a fazer a coisa bem feita ou estão a pedir desculpa a alguém.
São pessoas que se deixam manipular pela família e pelos amigos. Em primeiro lugar porque não têm respeito por si próprias, em segundo porque elas próprias são também manipuladoras.
Quando aprenderem a dizer NÃO, tudo será mais fácil.
NÃO e NÃO. Sem desculpas, para não dar ao manipulador argumentos para o fazer mudar de opinião.
Quando as pessoas virem que a manipulação já não funciona, vão parar. As pessoas só nos controlam enquanto nós o permitirmos."
louise hay
Também aqui há muitas variáveis:
há manipuladores adultos que não foram directamente manipulados na infância mas a quem os adultos não travaram as suas infantis manipulações; cresceram a manipular porque resultou;
há manipulados adultos que nunca o foram na infância mas uma vez inseridos numa adultícia para que não estavam preparados precisam da espécie de afecto e protecção que o manipulador parece proporcionar;
há manipulados e manipuladores que nunca se hão-de reconhecer;
há estratégias castradoras nos outros e em nós próprios que só nos resta identificar.
domingo, 31 de agosto de 2008
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
a situação da mulher
" Na época em que o género humano se eleva até à redacção escrita das suas mitologias e das suas leis, o patriarcado acha-se definitivamente estabelecido: são os homens que compões os códigos.
É natural que dêem à mulher uma situação subordinada.
Mas poderia imaginar-se que a considerassem com a mesma benevolência com que encaram as reses e as crianças.
Não é o que se passa.
Organizando a opressão da mulher, os legisladores têm medo dela.
Das virtudes ambivalentes de que ela se revestia retém-se principalmente o aspecto nefasto: de sagrada, ela torna-se impura.
Eva entregue a Adão para ser sua companheira, perde o género humano; quando querem vingar-se dos homens, os deuses pagãos inventam a mulher, e Pandora, que desencadeia todos os males de que sofre a humanidade, é a primeira dessas criaturas.
O Outro é a passividade em face da actividade, a diversidade que quebra a unidade, a matéria oposta à forma, a desordem que resiste à ordem.
A mulher é, assim, votada ao mal. "Há um princípio bom que criou a ordem, a luz e o homem; e um princípio mau que criou o caos, as trevas e a mulher", diz Pitágoras.
As leis de Manu definem-na como um ser vil que convém manter escravizado.
O Levítico assimila-a aos animais de carga que o patriarca possui.
As leis de Sólon não lhe conferem qualquer direito.
O código romano coloca-a sob tutela e proclama-lhe a "imbecilidade".
O direito canónico considera-a a "porta do Diabo".
O Corão trata-a com o mais absoluto desprezo.
E, no entanto, o mal é necessário ao bem, a matéria à ideia, a noite à luz.
O homem sabe que para saciar os seus desejos, para perpetuar a sua existência, a mulher lhe é indispensável.
É preciso integrá-la na sociedade: na medida em que se submete à ordem estabelecida pelos homens, ela purifica-se da sua mácula original.
Essa ideia é fortemente expressa nas leis de Manu: "Uma mulher, mediante um casamento legítimo, adquire as mesmas qualidades do seu esposo, como o rio que se perde no oceano, e é admitida, depois da morte, no mesmo paraíso celeste.
Assim traça a Bíblia, com elogios, o retrato da "mulher forte".
O cristianismo, apesar do seu ódio à carne, respeita a virgem consagrada e a esposa casta e dócil.
Associada ao culto, pode a mulher chegar a ter um papel religioso importante: a brâmane nas Índias, a flamínia em Roma são tão santas quanto seus maridos; é o homem que domina no casal, mas a união dos princípios masculino e feminino permanece necessária ao mecanismo da fecundidade, à vida e à ordem da sociedade.
É essa ambivalência do Outro, da mulher, que irá reflectir-se na sua história; permanecerá até aos nossos dias submetida à vontade dos homens.
Mas essa vontade é ambígua: através de uma anexação total, a mulher seria rebaixada ao nível de uma coisa; ora o homem pretende revestir da sua própria dignidade o que conquista e possui; o Outro conserva, a seus olhos, um pouco da sua magia primitiva; como fazer da esposa ao mesmo tempo uma serva e uma companheira, eis um dos problemas que procurará resolver; assim a sua atitude evoluirá através dos séculos, o que acarretará também uma evolução no destino feminino."
O Segundo Sexo - Simone de Beauvoir
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
irmanitas
domingo, 24 de agosto de 2008
by the way...
Uma pausa para pensar um pouco sobre o amor
A questão amorosa preocupa mais à maioria do que os aspectos essencialmente relacionados com o sexo. Não creio que isso seja justo, pois o sexo ainda é um grande problema a ser melhor resolvido pelas gerações que estão aí e também pelas que virão.
Aconteceu um fato recente que me fez escrever este pequeno texto sobre o amor. Fui convidado para fazer uma pergunta para Rosa Montero (escritora espanhola que foi entrevistada pelo programa Roda Viva da TV Cultura em 10/4). Perguntei se ela achava razoável pensarmos na existência de um fator anti-amor, um fator interno que torna tão difícil e incomum a realização das histórias de paixão, tema de um dos seus trabalhos mais recentes.
A resposta dela foi de tal forma surpreendente que me fez reconsiderar alguns aspectos relacionados com o que já escrevi sobre o assunto: ela desviou totalmente do assunto e parece não ter entendido minimamente o que eu estava falando (havia tradução simultânea para o espanhol)! Compreendi o quanto a maior parte das pessoas, mesmo as mais esclarecidas, ainda é carente de informações a respeito do tema. Ela dizia que a paixão é um vício, algo que só pode durar uns 2 anos; este é o discurso oficial, nada criativo. Dizia também que depois de superada a paixão, as relações ganhavam aquele aspecto cotidiano um tanto monótono e repetitivo. Ela disse que ela mesma havia se apaixonado várias vezes e que as histórias sempre terminavam assim: quando se sai da fantasia para a realidade, o tédio e a monotonia acabam por predominar.
Em síntese, ela disse que ou vivemos o amor como drogados ou então o vivenciamos como um tédio. Nada pode ser mais tradicional, conservador e depressivo do que estas considerações extraordinariamente reacionárias. Dão a impressão de que não há saída e salvação para a questão do amor a não ser pelo esforço enorme de aceitar e respeitar as diferenças que são inerentes ao fato de que o amor real implica em indivíduos específicos. Não fala sobre que diferenças e, com isso, coloca todas as diferenças no mesmo saco. Não preciso enfatizar o quanto acho isso perigoso, pois é muito diferente estar convivendo com um bandido, com uma pessoa sem caráter e desleal, ou com alguém que gosta de acordar cedo quando gostamos mais de dormir até tarde. Há diferenças e diferenças e colocá-las todas juntas é estimular a idéia de que não devemos levá- las em conta já que terão que existir e teremos que trabalhar muito – ainda que no contexto das relações tediosas – para que consigamos ter algum tipo de afetividade pela pessoa por quem antes tínhamos paixão.
Ela fala que, na paixão, amamos mesmo é o estado que o encantamento pelo outro provoca em nós. É verdade. Diz que não amamos a outra pessoa e que amamos mesmo é o amor! Este é mais um capítulo do discurso oficial, tradicional e vazio. Amamos uma determinada pessoa porque ela provoca em nós uma série de sentimentos e sensações e isso é o que venho afirmando há décadas. Amo aquela pessoa cuja presença provoca em mim a sensação de aconchego, de paz e de bem-estar que eu perdi no momento do nascimento. Amo a pessoa porque ela é capaz de provocar em mim emoções muito agradáveis. É mais que lógico que seja assim. O trágico é que muitas pessoas, depois de encantadas, continuam a amar a pessoa apesar dela provocar dor, humilhações e todo o tipo de insegurança e desconforto. Isso não é mais amor e sim uma dependência mórbida que está desconsiderando os fatos e que torna tantas pessoas reféns de parceiros que não valem a pena. Aí as pessoas falam coisas do tipo: ele é péssimo, mas eu o amo! Isso é que não faz o menor sentido. Temos mesmo que amar a pessoa que nos faz feliz, que provoca em nós grandes e prazerosas sensações.
(...)
Quero muito reafirmar mais uma vez que a paixão corresponde a um encantamento de ótima qualidade entre pessoas parecidas que vivenciam este encontro com muito medo. O medo é parte da paixão e dá a ela o caráter aflitivo e tenso que pode se assemelhar ao vício. Quando o medo se atenua, a relação continua a manter todo o vigor e todo o encantamento próprio das relações baseadas na confiança recíproca, numa intimidade totalmente compartilhada e num clima erótico legal. O medo não é outro senão uma manifestação do que chamo de fator antiamor, presente em todos nós, que está principalmente relacionado com o medo da felicidade. Este é o maior obstáculo à realização amorosa. Como todo medo, só pode ser tratado de uma forma: enfrentando-o com consciência, coragem, determinação e persistência..
(F.G.)
(confiança, intimidade e erotismo? para mim chega, não quero mais nada)
A questão amorosa preocupa mais à maioria do que os aspectos essencialmente relacionados com o sexo. Não creio que isso seja justo, pois o sexo ainda é um grande problema a ser melhor resolvido pelas gerações que estão aí e também pelas que virão.
Aconteceu um fato recente que me fez escrever este pequeno texto sobre o amor. Fui convidado para fazer uma pergunta para Rosa Montero (escritora espanhola que foi entrevistada pelo programa Roda Viva da TV Cultura em 10/4). Perguntei se ela achava razoável pensarmos na existência de um fator anti-amor, um fator interno que torna tão difícil e incomum a realização das histórias de paixão, tema de um dos seus trabalhos mais recentes.
A resposta dela foi de tal forma surpreendente que me fez reconsiderar alguns aspectos relacionados com o que já escrevi sobre o assunto: ela desviou totalmente do assunto e parece não ter entendido minimamente o que eu estava falando (havia tradução simultânea para o espanhol)! Compreendi o quanto a maior parte das pessoas, mesmo as mais esclarecidas, ainda é carente de informações a respeito do tema. Ela dizia que a paixão é um vício, algo que só pode durar uns 2 anos; este é o discurso oficial, nada criativo. Dizia também que depois de superada a paixão, as relações ganhavam aquele aspecto cotidiano um tanto monótono e repetitivo. Ela disse que ela mesma havia se apaixonado várias vezes e que as histórias sempre terminavam assim: quando se sai da fantasia para a realidade, o tédio e a monotonia acabam por predominar.
Em síntese, ela disse que ou vivemos o amor como drogados ou então o vivenciamos como um tédio. Nada pode ser mais tradicional, conservador e depressivo do que estas considerações extraordinariamente reacionárias. Dão a impressão de que não há saída e salvação para a questão do amor a não ser pelo esforço enorme de aceitar e respeitar as diferenças que são inerentes ao fato de que o amor real implica em indivíduos específicos. Não fala sobre que diferenças e, com isso, coloca todas as diferenças no mesmo saco. Não preciso enfatizar o quanto acho isso perigoso, pois é muito diferente estar convivendo com um bandido, com uma pessoa sem caráter e desleal, ou com alguém que gosta de acordar cedo quando gostamos mais de dormir até tarde. Há diferenças e diferenças e colocá-las todas juntas é estimular a idéia de que não devemos levá- las em conta já que terão que existir e teremos que trabalhar muito – ainda que no contexto das relações tediosas – para que consigamos ter algum tipo de afetividade pela pessoa por quem antes tínhamos paixão.
Ela fala que, na paixão, amamos mesmo é o estado que o encantamento pelo outro provoca em nós. É verdade. Diz que não amamos a outra pessoa e que amamos mesmo é o amor! Este é mais um capítulo do discurso oficial, tradicional e vazio. Amamos uma determinada pessoa porque ela provoca em nós uma série de sentimentos e sensações e isso é o que venho afirmando há décadas. Amo aquela pessoa cuja presença provoca em mim a sensação de aconchego, de paz e de bem-estar que eu perdi no momento do nascimento. Amo a pessoa porque ela é capaz de provocar em mim emoções muito agradáveis. É mais que lógico que seja assim. O trágico é que muitas pessoas, depois de encantadas, continuam a amar a pessoa apesar dela provocar dor, humilhações e todo o tipo de insegurança e desconforto. Isso não é mais amor e sim uma dependência mórbida que está desconsiderando os fatos e que torna tantas pessoas reféns de parceiros que não valem a pena. Aí as pessoas falam coisas do tipo: ele é péssimo, mas eu o amo! Isso é que não faz o menor sentido. Temos mesmo que amar a pessoa que nos faz feliz, que provoca em nós grandes e prazerosas sensações.
(...)
Quero muito reafirmar mais uma vez que a paixão corresponde a um encantamento de ótima qualidade entre pessoas parecidas que vivenciam este encontro com muito medo. O medo é parte da paixão e dá a ela o caráter aflitivo e tenso que pode se assemelhar ao vício. Quando o medo se atenua, a relação continua a manter todo o vigor e todo o encantamento próprio das relações baseadas na confiança recíproca, numa intimidade totalmente compartilhada e num clima erótico legal. O medo não é outro senão uma manifestação do que chamo de fator antiamor, presente em todos nós, que está principalmente relacionado com o medo da felicidade. Este é o maior obstáculo à realização amorosa. Como todo medo, só pode ser tratado de uma forma: enfrentando-o com consciência, coragem, determinação e persistência..
(F.G.)
(confiança, intimidade e erotismo? para mim chega, não quero mais nada)
da dificuldade de amar
Confiar um no outro, essencial para um amor maduro
– Amor implica depender, estar na mão da outra pessoa. Por isso, amar alguém que não nos transmite confiança é ser irresponsável para consigo mesmo.
Poucos são os casais que vivem em concórdia, num relacionamento que crie condições para que ambos cresçam emocional e intelectualmente. Mas, porque existem alguns casais que vivem em harmonia, devemos nos empenhar para também fazermos parte dessa minoria privilegiada. Hoje quero me dedicar a um aspecto essencial das boas relações amorosas que é o desenvolvimento da confiança recíproca. Amar implica depender, estar na mão de outra pessoa. Ela tem, mais do que ninguém, o poder de nos fazer sofrer. Basta querer nos magoar que conseguirá isso, com uma simples palavra ou gesto. Se quiser nos fazer sentir insegurança, não terá problema algum. Fica mais do que evidente que, quando uma pessoa ama alguém que não se empenha em despertar a sensação de confiança e de lealdade, ela irá padecer muito. Irá se sentir permanentemente ameaçada, terá ciúme de tudo e de todos. Amar alguém que não nos passa confiança é, pois, uma irresponsabilidade para consigo mesmo. É uma ousadia, uma ingenuidade e uma grande demonstração de imaturidade emocional – ou sinal de que se tem satisfação com o sofrimento.
Em geral as pessoas se colocam nessa condição em virtude de terem se encantado com alguém que, de fato, não dá sinais de confiabilidade. Aceitam essa atitude egoísta do amado imaginando que seja uma fase, um período doloroso que irá passar com o tempo. Fazem tudo para demonstrar o seu amor, para cativar o outro e esperam que isso faça com que, finalmente, ele se renda, e também se entregue de corpo e alma à relação afetiva. Acaba se compondo uma espécie de desafio, em que aquele que não é confiável percebe que recebe mais atenções e carinho exatamente por agir dessa forma. Com isso se perpetua a situação e me parece bobagem achar que o futuro será diferente do presente. Afinal de contas, aquele que não se entrega ao amor, acaba sendo altamente recompensado por isso e não terá nenhuma tendência para alterar sua atitude.
Quando a “mágica” do encantamento amoroso não vem acompanhada da “mágica” da confiança a pessoa está posta numa situação muito difícil, na qual o sofrimento e insegurança serão as emoções mais constantes. E essa “mágica” da confiança de onde ela vem? De vários fatores, sendo que o primeiro deles depende do comportamento da pessoa amada. Não é possível confiarmos numa pessoa que mente, a não ser que queiramos nos iludir e tentemos achar desculpas para não perder o encantamento por ela. Não é possível confiarmos em pessoas cujo comportamento não está de acordo com suas palavras e suas afirmações. Aliás, quando o discurso não combina com as atitudes, penso que devemos tomar essas últimas como expressão da verdadeira natureza da pessoa. Não é possível confiarmos em pessoas que mudam de opinião com a mesma velocidade com que mudamos de roupa. É evidente que todos nós, ao longo dos anos, atualizamos nossos pontos de vista. Porém, acreditar em certos conceitos num dia – na frente de certas pessoas – e defender conceitos opostos no outro – diante de outras pessoas – significa que não se tem opinião firme sobre nada e que se quer apenas estar de bem com todo mundo. Amar uma pessoa assim é, do ponto de vista da autopreservação, uma temeridade.
A capacidade de confiar depende também de como funciona o mundo interior daquele que ama e não apenas da forma de ser e de agir do amado. Não são raras as pessoas que não conseguem desenvolver a sensação de confiança em virtude de uma auto-estima muito baixa. Desconfiam da capacidade que têm de despertar e conservar o amor da outra pessoa; se sentem inseguras, acham que a qualquer momento podem ser trocadas por criaturas mais atraentes e ricas de encantos. E, o que é mais grave, se sentem assim mesmo quando recebe, sinais constantes, coerentes e persistentes de lealdade por parte da pessoa amada. Nesses casos, não há o que essa criatura possa fazer para atenuar o desconforto daquelas, cuja única saída é um sério mergulho interior em busca de resgatar a auto-estima e a autoconfiança perdidas em algum lugar do passado.
Finalmente, para uma pessoa desenvolver a capacidade de confiar é necessário que ela seja uma criatura confiável. Costumamos avaliar as outras pessoas tomando por base nossa própria maneira de ser. Se nos sabemos mentirosos, capazes de deslealdade e de desrespeito aos outros, como ter certeza de que as outras pessoas não farão o mesmo conosco? Só aquele que tem firmeza interior, que tem confiança em si mesmo no sentido de respeitar as regras de conduta nas quais acredita, pode imaginar que existam pessoa em condições de agir da mesma forma. Se a felicidade sentimental depende do estabelecimento da confiança recíproca, ela será, pois, um privilégio das pessoas íntegras e de caráter.
F. Gikovate
(é isso sim, flávio, tenho a certeza;
depender de alguém pode ser muito assustador, confiança é a palavra chave;
não saber se é possível confiar no outro, é a maior dúvida;
se o medo nos paralisa, a insegurança coloca-nos em causa, nessa altura não passamos daquilo que nos consentimos ser;
mas sim, o problema nem sempre é do outro, muitas vezes é nosso: postos em causa muito novos, descrentes de merecer o afecto dos outros, abandonados nas nossas necessidades por falta de presença e acolhimento, como vamos agora, tão habituadinhos à míngua, acreditar na fartura;
mais vale desistir da ideia de parceria - isso implica igualdade e paz - e, no fundo, sei que sou melhor que o outro, sei do que sou capaz, com o outro, nunca se sabe...
então se a confiança já foi uma vez traída, a dificuldade triplica, ficamos totalmente em causa;
aí há 3 caminhos possíveis: partir, recomeçar, romper e voltar a tentar, tantas vezes e com tantas pessoas quantas forem necessárias, perseguindo a ilusão do paraíso que dificilmente chegará,
desistir e entrar no lado amorfo da questão, sem fé, sem alegria mas sem coragem para partir,
ou entrar destemidamente por nós adentro, de lanterna na mão, à procura das nossas razões, dispostos a encontrá-las em qualquer canto, pegar-lhes carinhosamente na mão e trazê-las para a luz do dia)
– Amor implica depender, estar na mão da outra pessoa. Por isso, amar alguém que não nos transmite confiança é ser irresponsável para consigo mesmo.
Poucos são os casais que vivem em concórdia, num relacionamento que crie condições para que ambos cresçam emocional e intelectualmente. Mas, porque existem alguns casais que vivem em harmonia, devemos nos empenhar para também fazermos parte dessa minoria privilegiada. Hoje quero me dedicar a um aspecto essencial das boas relações amorosas que é o desenvolvimento da confiança recíproca. Amar implica depender, estar na mão de outra pessoa. Ela tem, mais do que ninguém, o poder de nos fazer sofrer. Basta querer nos magoar que conseguirá isso, com uma simples palavra ou gesto. Se quiser nos fazer sentir insegurança, não terá problema algum. Fica mais do que evidente que, quando uma pessoa ama alguém que não se empenha em despertar a sensação de confiança e de lealdade, ela irá padecer muito. Irá se sentir permanentemente ameaçada, terá ciúme de tudo e de todos. Amar alguém que não nos passa confiança é, pois, uma irresponsabilidade para consigo mesmo. É uma ousadia, uma ingenuidade e uma grande demonstração de imaturidade emocional – ou sinal de que se tem satisfação com o sofrimento.
Em geral as pessoas se colocam nessa condição em virtude de terem se encantado com alguém que, de fato, não dá sinais de confiabilidade. Aceitam essa atitude egoísta do amado imaginando que seja uma fase, um período doloroso que irá passar com o tempo. Fazem tudo para demonstrar o seu amor, para cativar o outro e esperam que isso faça com que, finalmente, ele se renda, e também se entregue de corpo e alma à relação afetiva. Acaba se compondo uma espécie de desafio, em que aquele que não é confiável percebe que recebe mais atenções e carinho exatamente por agir dessa forma. Com isso se perpetua a situação e me parece bobagem achar que o futuro será diferente do presente. Afinal de contas, aquele que não se entrega ao amor, acaba sendo altamente recompensado por isso e não terá nenhuma tendência para alterar sua atitude.
Quando a “mágica” do encantamento amoroso não vem acompanhada da “mágica” da confiança a pessoa está posta numa situação muito difícil, na qual o sofrimento e insegurança serão as emoções mais constantes. E essa “mágica” da confiança de onde ela vem? De vários fatores, sendo que o primeiro deles depende do comportamento da pessoa amada. Não é possível confiarmos numa pessoa que mente, a não ser que queiramos nos iludir e tentemos achar desculpas para não perder o encantamento por ela. Não é possível confiarmos em pessoas cujo comportamento não está de acordo com suas palavras e suas afirmações. Aliás, quando o discurso não combina com as atitudes, penso que devemos tomar essas últimas como expressão da verdadeira natureza da pessoa. Não é possível confiarmos em pessoas que mudam de opinião com a mesma velocidade com que mudamos de roupa. É evidente que todos nós, ao longo dos anos, atualizamos nossos pontos de vista. Porém, acreditar em certos conceitos num dia – na frente de certas pessoas – e defender conceitos opostos no outro – diante de outras pessoas – significa que não se tem opinião firme sobre nada e que se quer apenas estar de bem com todo mundo. Amar uma pessoa assim é, do ponto de vista da autopreservação, uma temeridade.
A capacidade de confiar depende também de como funciona o mundo interior daquele que ama e não apenas da forma de ser e de agir do amado. Não são raras as pessoas que não conseguem desenvolver a sensação de confiança em virtude de uma auto-estima muito baixa. Desconfiam da capacidade que têm de despertar e conservar o amor da outra pessoa; se sentem inseguras, acham que a qualquer momento podem ser trocadas por criaturas mais atraentes e ricas de encantos. E, o que é mais grave, se sentem assim mesmo quando recebe, sinais constantes, coerentes e persistentes de lealdade por parte da pessoa amada. Nesses casos, não há o que essa criatura possa fazer para atenuar o desconforto daquelas, cuja única saída é um sério mergulho interior em busca de resgatar a auto-estima e a autoconfiança perdidas em algum lugar do passado.
Finalmente, para uma pessoa desenvolver a capacidade de confiar é necessário que ela seja uma criatura confiável. Costumamos avaliar as outras pessoas tomando por base nossa própria maneira de ser. Se nos sabemos mentirosos, capazes de deslealdade e de desrespeito aos outros, como ter certeza de que as outras pessoas não farão o mesmo conosco? Só aquele que tem firmeza interior, que tem confiança em si mesmo no sentido de respeitar as regras de conduta nas quais acredita, pode imaginar que existam pessoa em condições de agir da mesma forma. Se a felicidade sentimental depende do estabelecimento da confiança recíproca, ela será, pois, um privilégio das pessoas íntegras e de caráter.
F. Gikovate
(é isso sim, flávio, tenho a certeza;
depender de alguém pode ser muito assustador, confiança é a palavra chave;
não saber se é possível confiar no outro, é a maior dúvida;
se o medo nos paralisa, a insegurança coloca-nos em causa, nessa altura não passamos daquilo que nos consentimos ser;
mas sim, o problema nem sempre é do outro, muitas vezes é nosso: postos em causa muito novos, descrentes de merecer o afecto dos outros, abandonados nas nossas necessidades por falta de presença e acolhimento, como vamos agora, tão habituadinhos à míngua, acreditar na fartura;
mais vale desistir da ideia de parceria - isso implica igualdade e paz - e, no fundo, sei que sou melhor que o outro, sei do que sou capaz, com o outro, nunca se sabe...
então se a confiança já foi uma vez traída, a dificuldade triplica, ficamos totalmente em causa;
aí há 3 caminhos possíveis: partir, recomeçar, romper e voltar a tentar, tantas vezes e com tantas pessoas quantas forem necessárias, perseguindo a ilusão do paraíso que dificilmente chegará,
desistir e entrar no lado amorfo da questão, sem fé, sem alegria mas sem coragem para partir,
ou entrar destemidamente por nós adentro, de lanterna na mão, à procura das nossas razões, dispostos a encontrá-las em qualquer canto, pegar-lhes carinhosamente na mão e trazê-las para a luz do dia)
outra vez gikovate
SERÁ QUE É PRECISO AMAR A SI MESMO ANTES DE AMAR AOS OUTROS?
Sempre me surpreendo ao ouvir as pessoas falarem, com convicção, frases conhecidas, tidas como verdades, sobre as quais pouco refletiram. Elas correspondem às crenças, pontos de vista que herdamos daqueles que nos antecederam. Temos o dever de repensar tudo, uma vez que novos conhecimentos podem criar maneiras mais sofisticadas de encarar os temas que tanto nos interessam.
Esta é uma destas frases: “se eu não conseguir me amar primeiro, não serei capaz de amar ninguém”. Isso é dito e pensado a propósito da possibilidade de estabelecermos um relacionamento íntimo, estável e de boa qualidade. Não se está falando em termos genéricos, de modo que ela não está diretamente ligada ao ditame bíblico de que devemos “amar ao próximo como a nós mesmos”.
O “próximo” do texto bíblico é qualquer pessoa com a qual estabelecemos algum tipo de relação e não aquele ser especial com quem queremos estabelecer um relacionamento íntimo, de preferência estável e definitivo. Além disso, penso que a idéia religiosa diz respeito ao tratamento e aos direitos, ou seja, de que devemos considerar os outros como portadores de direitos iguais àqueles que atribuímos a nós.
A forma como tenho pensado acerca do amor não nos permite falar em amor por si mesmo. Isso porque ele acontece sempre em condições interpessoais. O amor corresponde ao sentimento que temos por aquela pessoa cuja presença provoca em nós a adorável sensação de paz e aconchego. A primeira manifestação desse sentimento corresponde ao que acontece entre mãe e filho, talvez ainda durante a vida intra-uterina, mas, certamente, a partir do nascimento: a criança, desamparada e ameaçada por desconfortos de todo o tipo, se sente bem e aconchegada pela presença física da mãe e a ama; esta, por sua vez, sente enorme prazer em estar com seu bebê no colo e sente por ele enorme amor justamente porque ela também se sente aconchegada por ele.
O primeiro sentimento interpessoal é o de amor. É claro que a criança, frustrada pela ausência da mãe, também pode ficar revoltada e chorar muito por se sentir abandonada. Talvez o segundo sentimento seja mesmo de raiva, que também é interpessoal (depende de um agressor externo). À medida que os meses se passam e a criança vai se diferenciando, ela passa a pesquisar o mundo que a cerca, inclusive a si mesma. Ao tocar certas partes do seu corpo, experimenta uma sensação muito agradável de excitação. Trata-se de excitação sexual, esta sim pessoal e auto-erótica.
Quando se pensa no sexo e amor como parte do mesmo processo, o que não é o meu ponto de vista, pode-se pensar que exista algum tipo de afeição da criança (e depois do adulto) por si mesmo. Acontece que com a separação entre esses dois fenômenos (sendo fato que o amor acontece antes do sexo), podemos pensar no sexo como um fenômeno pessoal, mas não no amor como tal. Assim, existe auto-erotismo, mas não existe amor por si mesmo: o amor pede objeto e o primeiro objeto é nossa mãe.
Estas considerações são de natureza mais teórica. Vamos agora à prática, na qual constatamos que a grande maioria das pessoas não tem um bom juízo de si mesma. Isso significa que elas não têm boa auto-estima, o que costuma ser tratado como sinônimo de ausência de amor por si mesmas. Estima é uma palavra que pode estar associada a amor, mas também significa valor; penso mais neste segundo aspecto, de modo que baixa auto-estima significa que não estou satisfeito com o meu jeito de ser. Eu sou o juiz e também aquele que é avaliado, no caso, de forma negativa. Se isso, de fato, implicar em incapacidade para amar, podemos afirmar que o amor não existe!
O que acontece não é nada disso. Aquele que tem de si um juízo negativo costuma se interessar por alguém que seja o seu oposto. Isso sim é a regra do que acontece na realidade: nos encantamos pelos que são o oposto de nós, já que não gostamos nem um pouco do nosso jeito de ser. As pessoas que acompanham meu trabalho sabem que considero este tipo de aliança um tanto precária e, hoje em dia, com tendência a uma vida curta.
Podemos dizer que quem não tem boa auto-estima (expressão melhor do que “aquele que não se ama”) tende a amar seu oposto. A qualidade deste tipo de relacionamento é muito duvidosa, de modo que, nesse sentido, podemos dizer que aqueles que têm uma boa auto-estima (expressão que substitui, com vantagens, “aquele que se ama”) tendem a estabelecer relacionamentos amorosos muito melhores encaixados e bastante mais gratificantes.
Ao pensarmos por esta ótica e se considerarmos como amor apenas este segundo tipo de relacionamento, entre pessoas de temperamento e caráter afins, podemos dizer que ele depende vitalmente de uma boa auto-estima. Como ela é rara, também serão raros os relacionamentos amorosos. Acontece que não me parece razoável pensar assim, já que os relacionamentos entre opostos também implicam em aconchego e intimidade – apesar dos problemas, conflitos, ciúmes e brigas de todos os tipos. Assim, só poderíamos mesmo é afirmar que para sermos muito felizes no amor temos antes que nos entender conosco mesmos. Talvez seja essencial um avanço na capacidade de ficar bem consigo mesmo, de correção daqueles aspectos que não gostamos em nós e do atingimento de um estado de conciliação com nossa forma de ser para que possamos estar verdadeiramente prontos para um relacionamento amoroso no qual as delícias do aconchego possam nos satisfazer plenamente.
Sempre me surpreendo ao ouvir as pessoas falarem, com convicção, frases conhecidas, tidas como verdades, sobre as quais pouco refletiram. Elas correspondem às crenças, pontos de vista que herdamos daqueles que nos antecederam. Temos o dever de repensar tudo, uma vez que novos conhecimentos podem criar maneiras mais sofisticadas de encarar os temas que tanto nos interessam.
Esta é uma destas frases: “se eu não conseguir me amar primeiro, não serei capaz de amar ninguém”. Isso é dito e pensado a propósito da possibilidade de estabelecermos um relacionamento íntimo, estável e de boa qualidade. Não se está falando em termos genéricos, de modo que ela não está diretamente ligada ao ditame bíblico de que devemos “amar ao próximo como a nós mesmos”.
O “próximo” do texto bíblico é qualquer pessoa com a qual estabelecemos algum tipo de relação e não aquele ser especial com quem queremos estabelecer um relacionamento íntimo, de preferência estável e definitivo. Além disso, penso que a idéia religiosa diz respeito ao tratamento e aos direitos, ou seja, de que devemos considerar os outros como portadores de direitos iguais àqueles que atribuímos a nós.
A forma como tenho pensado acerca do amor não nos permite falar em amor por si mesmo. Isso porque ele acontece sempre em condições interpessoais. O amor corresponde ao sentimento que temos por aquela pessoa cuja presença provoca em nós a adorável sensação de paz e aconchego. A primeira manifestação desse sentimento corresponde ao que acontece entre mãe e filho, talvez ainda durante a vida intra-uterina, mas, certamente, a partir do nascimento: a criança, desamparada e ameaçada por desconfortos de todo o tipo, se sente bem e aconchegada pela presença física da mãe e a ama; esta, por sua vez, sente enorme prazer em estar com seu bebê no colo e sente por ele enorme amor justamente porque ela também se sente aconchegada por ele.
O primeiro sentimento interpessoal é o de amor. É claro que a criança, frustrada pela ausência da mãe, também pode ficar revoltada e chorar muito por se sentir abandonada. Talvez o segundo sentimento seja mesmo de raiva, que também é interpessoal (depende de um agressor externo). À medida que os meses se passam e a criança vai se diferenciando, ela passa a pesquisar o mundo que a cerca, inclusive a si mesma. Ao tocar certas partes do seu corpo, experimenta uma sensação muito agradável de excitação. Trata-se de excitação sexual, esta sim pessoal e auto-erótica.
Quando se pensa no sexo e amor como parte do mesmo processo, o que não é o meu ponto de vista, pode-se pensar que exista algum tipo de afeição da criança (e depois do adulto) por si mesmo. Acontece que com a separação entre esses dois fenômenos (sendo fato que o amor acontece antes do sexo), podemos pensar no sexo como um fenômeno pessoal, mas não no amor como tal. Assim, existe auto-erotismo, mas não existe amor por si mesmo: o amor pede objeto e o primeiro objeto é nossa mãe.
Estas considerações são de natureza mais teórica. Vamos agora à prática, na qual constatamos que a grande maioria das pessoas não tem um bom juízo de si mesma. Isso significa que elas não têm boa auto-estima, o que costuma ser tratado como sinônimo de ausência de amor por si mesmas. Estima é uma palavra que pode estar associada a amor, mas também significa valor; penso mais neste segundo aspecto, de modo que baixa auto-estima significa que não estou satisfeito com o meu jeito de ser. Eu sou o juiz e também aquele que é avaliado, no caso, de forma negativa. Se isso, de fato, implicar em incapacidade para amar, podemos afirmar que o amor não existe!
O que acontece não é nada disso. Aquele que tem de si um juízo negativo costuma se interessar por alguém que seja o seu oposto. Isso sim é a regra do que acontece na realidade: nos encantamos pelos que são o oposto de nós, já que não gostamos nem um pouco do nosso jeito de ser. As pessoas que acompanham meu trabalho sabem que considero este tipo de aliança um tanto precária e, hoje em dia, com tendência a uma vida curta.
Podemos dizer que quem não tem boa auto-estima (expressão melhor do que “aquele que não se ama”) tende a amar seu oposto. A qualidade deste tipo de relacionamento é muito duvidosa, de modo que, nesse sentido, podemos dizer que aqueles que têm uma boa auto-estima (expressão que substitui, com vantagens, “aquele que se ama”) tendem a estabelecer relacionamentos amorosos muito melhores encaixados e bastante mais gratificantes.
Ao pensarmos por esta ótica e se considerarmos como amor apenas este segundo tipo de relacionamento, entre pessoas de temperamento e caráter afins, podemos dizer que ele depende vitalmente de uma boa auto-estima. Como ela é rara, também serão raros os relacionamentos amorosos. Acontece que não me parece razoável pensar assim, já que os relacionamentos entre opostos também implicam em aconchego e intimidade – apesar dos problemas, conflitos, ciúmes e brigas de todos os tipos. Assim, só poderíamos mesmo é afirmar que para sermos muito felizes no amor temos antes que nos entender conosco mesmos. Talvez seja essencial um avanço na capacidade de ficar bem consigo mesmo, de correção daqueles aspectos que não gostamos em nós e do atingimento de um estado de conciliação com nossa forma de ser para que possamos estar verdadeiramente prontos para um relacionamento amoroso no qual as delícias do aconchego possam nos satisfazer plenamente.
máscara
longe daqui tens um segredo guardado
para abrir num lugar mais desejado
no lugar onde possas saber
que por ser segredo não podes dizer
serás tu a sombra que olhas no chão
serás a promessa que trazes na mão
de que serve o teu disfarce e o teu
secreto olhar se não tens ninguém a quem te revelar
serás o silêncio ou o sonho desfeito
serás teu o grito que arrancas do peito
de que vale teres a lua e o céu inteiro pra voar
se não tens ninguém a quem te poder dar
longe daqui tens um desejo fechado
para abrir num local lugar mais arejado
no lugar onde possas saber
o que há já muito tempo ficou por dizer
serás tu a sombra que olhas no chão
serás a promessa que trazes na mão
de que serve o teu disfarce e o teu
secreto olhar se não tens ninguém a quem te revelar
serás o silêncio ou o sonho desfeito
serás teu o grito que arrancas do peito
de que vale teres a lua e o céu inteiro pra voar
se não tens ninguém a quem te poder dar
fixas te o teu olhar no meu
ficas te longe daquí..tu estás longe de tí
tão longe de tí...tão longe de nós
corres para te salvar noutro lugar
serás tu a sombra que olhas no chão
serás a promessa que trazes na mão
de que serve o teu disfarce e o teu
secreto olhar senão tens ninguém a quem te revelar
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
parabéns, kandinsky
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
domingo, 10 de agosto de 2008
Ísis e Osíris

Concebidos através do amor entre o céu, Nut, e a terra, Geb, Osíris e Ísis nascem como irmãos, simbolizando o companheirismo e a igualdade na sua origem comum.
Osíris, o primogénito de cinco gémeos, é escolhido como soberano da Terra e Ísis torna-se a sua esposa.
Durante o seu reinado, Osíris traz a civilização ao Egipto: abole o canibalismo, introduz os instrumentos agrícolas, ensina a produzir grãos e a fabricar o vinho. Além disso, institui o culto aos deuses e constrói os primeiros templos.
Quando parte para civilizar o resto do mundo deixa Ísis como governante e, no seu regresso, encontra o reino em perfeita ordem.
Invejoso das conquistas e da felicidade dos irmãos, Seth engendra um plano para matar Osíris e usurpar o poder. Manda construir uma arca com as medidas exactas de Osíris, organiza uma festa em honra do irmão e propõe um desafio aos convidados: aquele que coubesse na arca, poderia levá-la de presente.
Assim que Osíris entra na arca, Seth encerra-o no interior, atirando a caixa às águas do Nilo, que a levaram até à Fenícia. Ali, a arca permanece enredada numa planta e, com o passar do tempo, passa a fazer parte do caule da árvore.
Desolada, Ísis não esquece o esposo e pretende recuperar o seu corpo a todo o custo. Durante anos percorre o planeta à procura da arca e, quando a encontra, esconde-a nos pântanos do Egipto.
Até que, numa noite de caça, Seth descobre a arca com os restos do irmão. Furioso, corta o corpo do Osíris em catorze pedaços, que espalha em diversas regiões do Egipto.
Sempre com o deus no horizonte, Ísis parte novamente em busca dos seus despojos. Após anos de procura, encontra todas as partes do corpo de Osíris, com excepção do órgão genital, que havia sido devorado por um peixe.
Diante disso, Ísis constrói um falo de madeira sagrada para Osíris, que acorda, e desde então vive na terra dos mortos.
Com a ajuda do deus Anúbis, Ísis embalsama Osíris – que se torna a primeira múmia do Egipto.
Utilizando os seus poderes mágicos, a deusa consegue que Osíris a fecunde, nascendo essa união o deus Horus, que, em adulto, reproduz a luta do bem contra o mal ao recuperar em nome do pai a soberania.
making the difference
A man was walking down the beach at sunset. As, he walked along, he saw another man in the distance. He noticed this man kept leaning down, picking up something and throwing it out into the water, again and again.
As, he approached even closer, he noticed that the man was picking up starfish that had been washed up on the beach. He was throwing them back into the water, one by one.
Puzzled, he approached the man and said, "Good evening. I was wondering what you are doing.""I'm throwing these starfish back into the ocean. You see, it's low tide and all these starfish have been washed up onto the shore. If, I don't throw them back into the ocean, they'll die up here from lack of oxygen."
"But, there must be thousands of starfish on this beach. You can't possible get to all of them. And, don't you realize this is probably happening on hundreds of beaches all up and down this coast. Can't you see that you can't possibly make a difference?"
The man bent down and picked up yet another starfish, and threw it back into the ocean. With a smile he replied, "Made a difference to that one !!!"
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Eros e Psique
(escultura de A. Canova, no museu do Louvre)Na mitologia grega, Psique era uma jovem mortal cuja surpreendente beleza era comparada à deusa Afrodite (Vénus, na mitologia romana).
Recebendo homenagens dos homens, Psique despertou os ciúmes de Afrodite, que lhe enviou o seu filho Eros (Cupido, na mitologia romana) com a missão de atingi-la com as suas flechas e fazer com que esta se apaixonasse por um monstro.
Na terra, o oráculo ordena ao pai de Psique, diante de ameaças assustadoras, que conduza a filha para junto de um rochedo, onde um monstro a tomaria como esposa. Eros tenta cumprir a sua tarefa, porém, ao deparar-se com a beleza perturbadora da jovem, enamora-se perdidamente. No afã deste sentimento, descuida-se e acaba ferindo-se nas suas próprias flechas, apaixonando-se de forma irremediável por Psique.
Para evitar a ira da mãe, decide desposar a donzela em segredo.
No alto do rochedo, a donzela resigna-se com o seu destino e espera o monstro, quando começa a sentir-se transportada por um vento brando que a leva até um majestoso palácio.
Quando escurece, um ser invisível e misterioso vem ao seu encontro, dizendo-lhe que é o marido a quem fora destinada. O esposo promete-lhe toda a felicidade do mundo, com uma única condição: Psique nunca lhe poderia ver a face.
Eros aparecia apenas nas horas de escuridão e desaparecia com o amanhecer, mas rapidamente Psique apaixona-se pela figura enigmática que a fazia sentir completamente amada. Por vezes pedia ao amante que ficasse e a deixasse olhá-lo, mas este não consentia, pedindo-lhe para confiar em si e no seu amor.
De visita ao palácio, as invejosas irmãs de Psique plantam no seu coração as suspeitas de que o marido é um monstro, que lhe anda a agradar para mais tarde a devorar.
As dúvidas incomodam-na tanto que, a despeito da sua promessa, acende uma lamparina para espreitar a face do marido adormecido. Mas ao invés do monstro, Psique vê ao seu lado o homem mais belo do mundo, Eros.
Assustada, a jovem espeta-se acidentalmente numa das flechas do deus e apaixona-se.
A lamparina deixa pingar gotas de óleo na pele de Eros, que desperta enfurecido e resolve abandoná-la.
Começa então a longa deambulação de Psique em busca do seu amado, num sofrimento que durou até que Afrodite a obrigasse a provar, através de tarefas, que era digna do amor do marido. Psique consegue cumprir todas as tarefas graças à ajuda das criaturas da natureza, como as formigas, os pássaros e os caniços das águas.
Eros, que assiste a toda a luta da amada, acaba por pedir a intervenção de Zeus, que a transforma em imortal e permite ao casal voltar a unir-se.
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