terça-feira, 5 de agosto de 2008

Eros e Psique

(escultura de A. Canova, no museu do Louvre)

Na mitologia grega, Psique era uma jovem mortal cuja surpreendente beleza era comparada à deusa Afrodite (Vénus, na mitologia romana).
Recebendo homenagens dos homens, Psique despertou os ciúmes de Afrodite, que lhe enviou o seu filho Eros (Cupido, na mitologia romana) com a missão de atingi-la com as suas flechas e fazer com que esta se apaixonasse por um monstro.
Na terra, o oráculo ordena ao pai de Psique, diante de ameaças assustadoras, que conduza a filha para junto de um rochedo, onde um monstro a tomaria como esposa. Eros tenta cumprir a sua tarefa, porém, ao deparar-se com a beleza perturbadora da jovem, enamora-se perdidamente. No afã deste sentimento, descuida-se e acaba ferindo-se nas suas próprias flechas, apaixonando-se de forma irremediável por Psique.
Para evitar a ira da mãe, decide desposar a donzela em segredo.
No alto do rochedo, a donzela resigna-se com o seu destino e espera o monstro, quando começa a sentir-se transportada por um vento brando que a leva até um majestoso palácio.
Quando escurece, um ser invisível e misterioso vem ao seu encontro, dizendo-lhe que é o marido a quem fora destinada. O esposo promete-lhe toda a felicidade do mundo, com uma única condição: Psique nunca lhe poderia ver a face.
Eros aparecia apenas nas horas de escuridão e desaparecia com o amanhecer, mas rapidamente Psique apaixona-se pela figura enigmática que a fazia sentir completamente amada. Por vezes pedia ao amante que ficasse e a deixasse olhá-lo, mas este não consentia, pedindo-lhe para confiar em si e no seu amor.
De visita ao palácio, as invejosas irmãs de Psique plantam no seu coração as suspeitas de que o marido é um monstro, que lhe anda a agradar para mais tarde a devorar.
As dúvidas incomodam-na tanto que, a despeito da sua promessa, acende uma lamparina para espreitar a face do marido adormecido. Mas ao invés do monstro, Psique vê ao seu lado o homem mais belo do mundo, Eros.
Assustada, a jovem espeta-se acidentalmente numa das flechas do deus e apaixona-se.
A lamparina deixa pingar gotas de óleo na pele de Eros, que desperta enfurecido e resolve abandoná-la.
Começa então a longa deambulação de Psique em busca do seu amado, num sofrimento que durou até que Afrodite a obrigasse a provar, através de tarefas, que era digna do amor do marido. Psique consegue cumprir todas as tarefas graças à ajuda das criaturas da natureza, como as formigas, os pássaros e os caniços das águas.
Eros, que assiste a toda a luta da amada, acaba por pedir a intervenção de Zeus, que a transforma em imortal e permite ao casal voltar a unir-se.

1 comentário:

redeazul disse...

e não foi a última vez que uma mulher quis arriscar saber. curioso que essa necessidade de ter o conhecimento seja tantas vezes contrária à vontade dos deuses, maiores ou menores.