quarta-feira, 23 de julho de 2008

fado


(fado singer - márcio belo)



Na cela do seu convento

Rodeada de roseiras

Onde entrara nova ainda

Sem um ai sem um lamento

Entre tantas lindas freiras

Morrera a freira mais linda



Era tida como santa

A sua graça era tanta

No seu esgueiro sentir

Que no seu catre deitada

A freira santificada

Levara a vida a mentir

A todos dizia ela

Que nunca amara na vida

Homem algum pelo visto

Sozinha na sua cela

Em orações recolhida

Apenas amara a Cristo



Quando a freira morreu

A abadessa apareceu

Para em tais termos dizer

Ponham-lhe nas mãos em cruz

A medalha de Jesus

Que ela beijou ao morrer



Nisto uma freira absorta

Acercando-se da morta

Na medalha lhe pegou

Pôs-se a gritar Deus nos valha

Não é de Cristo a medalha

Mas do homem que ela amou!




(letra do fado da freira, que conheço, sei lá!, desde que nasci, apresentada e repetida até à exaustão pela voz, então bem timbrada, da minha avó;



beijinhos, vó, só tu para me ensinares uma coisa destas!)

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