




sonhos, momentos irreais
descritíveis, incríveis,
inspiradores, proféticos,
demolidores, anunciadores,
premonitórios,
espaço interior, infinito,
de dor, de cor, de luz
de força, de espanto
caverna de platão
farol no nevoeiro
escada em caracol
inquietação infinita
voos rasantes
impossibilidades imensas
certezas impartilháveis
sem eles não conservava a sanidade,
sem eles perdia uma grande parte de mim
(ao P.F., que me escuta e serena os sonhos, a Fernando Pessoa e Isabel Allende, porque souberam o quanto eles são reais, e a Chagall, que os soube pintar)
Marc Chagall (Bielorrússia, 7 de julho de 1887 — França, 28 de março de 1985)
2 comentários:
mesmo acordados transportamos os nossos sonhos. E, assim como há impossibilidades imensas, também há imensas possibilidades, como há certezas impartilháveis também as há partilháveis. É verdade que nos poderemos tornar insanos sem eles, mas não poderemos consentir que fiquemos insanos por causa deles. Há que descobrir um patamar por entre os degraus da inquietude.Será necessário que essa descoberta seja feita, porque senão, ao invés de perdermos uma grande parte de nós, corremos o risco de nos perdermos completamente. Ah, magnífico, perturbador Chagall !
obrigada, meu reverso.
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