segunda-feira, 7 de julho de 2008

Moishe Zakharovich Shagalov






sonhos, momentos irreais

descritíveis, incríveis,

inspiradores, proféticos,

demolidores, anunciadores,

premonitórios,

espaço interior, infinito,

de dor, de cor, de luz

de força, de espanto


caverna de platão

farol no nevoeiro

escada em caracol

inquietação infinita


voos rasantes

impossibilidades imensas

certezas impartilháveis


sem eles não conservava a sanidade,

sem eles perdia uma grande parte de mim



(ao P.F., que me escuta e serena os sonhos, a Fernando Pessoa e Isabel Allende, porque souberam o quanto eles são reais, e a Chagall, que os soube pintar)


Marc Chagall (Bielorrússia, 7 de julho de 1887 — França, 28 de março de 1985)

2 comentários:

Fritz Cooper disse...

mesmo acordados transportamos os nossos sonhos. E, assim como há impossibilidades imensas, também há imensas possibilidades, como há certezas impartilháveis também as há partilháveis. É verdade que nos poderemos tornar insanos sem eles, mas não poderemos consentir que fiquemos insanos por causa deles. Há que descobrir um patamar por entre os degraus da inquietude.Será necessário que essa descoberta seja feita, porque senão, ao invés de perdermos uma grande parte de nós, corremos o risco de nos perdermos completamente. Ah, magnífico, perturbador Chagall !

redeazul disse...

obrigada, meu reverso.