quarta-feira, 2 de abril de 2008

manifesto pela simplificação

Flávio Gikovate considera a existência de 3 estados civis: o solteiro, o mal casado e o bem casado, sendo que o mal casado, cerca de 80% dos casados, se conforma com a sua situação, face às alternativas disponíveis: a mudança ou a solidão.
Gostei!
Num duplo sentido. Concordo com a distinção entre os bem e os mal casados, a percentagem indicada e as razões apontadas.
De facto, o pessoal prefere-se mal acompanhado a só.
Mas a novidade é outra. Finalmente alguém se desinteressou da existência dos outros estados civis até hoje consagrados, o divorciado e o viúvo, apercebendo-se do óbvio: não existem divorciados e viúvos.
O que existe são pessoas que vivem um projecto de vida a sós ou a dois. Uns são solteiros, outros são casados.
Pouco interessa à humanidade que o projecto de vida a sós resulte de opção, ruptura de uma relação ou passamento de um dos elementos.
Mais depressa a sociedade se desinteressou de definir os contornos da situação oposta. Explico: mais depressa deixou de querer saber se os que vivem um projecto a dois estão contratualmente unidos ou se vivem em união de facto. Estão juntos e pronto!
Agora para os outros, os que estão a "a solo", é preciso especificar: solteiros, viúvos ou divorciados?
Tal como o meu querido J. creio que a destrinça é vestígio do passado, ou seja, foi gerada pela religião e pertence exclusivamente a uma ordem moral cada vez mais obsoleta.
À sociedade, aos amigos, a nós próprios, interessa, quando muito, saber: estamos sós ou acompanhados?
Afirmo aqui o direito de todos a ser/estar solteirinho da silva, tal como nasceu.
Se viveu um interregno nesse estado e porque para lá voltou, é do foro privado!
Senão, passe a perguntar-se aos solteiros se já viveram em união de facto e registe-se a circunstância em correspondente estado civil e teremos os ex solteiros ou semi solteiros e os ex unidos de facto ou resolteiros.
... Se é para complicar...

1 comentário:

xeque mate disse...

Brilhante, Redeazul :)
Igual a ti, pragmática e contundente. De facto as uniões são de almas, de vontades, não de papéis, que só atrapalham.
Como se constata a partir de determinado momento da vida, é inconcebível a união pela única razão de haver um contrato. Havia que pensar nisso antes de se estabelecerem rótulos, que podem ser como certos autocolantes : nem esfregando com alcoól saem :)