domingo, 28 de fevereiro de 2010
carl orff
Ó Fortuna
Ó Fortuna
variável
como a lua
cresces sempre
ou diminuis,
detestável vita!
joje maltratas
amanhã lisonjeias
brincas com os nossos sentidos
a miséria
o poder
fundem como gelo em ti.
Destino cruel
e vão
roda que giras
a tua natureza é preversa
a tua felicidade vã
sempre a dissipar-se
pela sombra
e em segredo
aproximas-te de mim
apresento o meu dorso nu
ao jogo da tua
preversidade.
Felicidade
e virtude
são-me agora contrárias;
afecções
e derrotas
estão sempre presentes.
Nesta hora
sem demora
pulsai as cordas
pois que o bravo, derrubado
pelo destino
chorai todos comigo.
Choro as feridas causadas pela fortuna
com olhos lacrimosos
pois, rebelde,
retoma os seus dons.
Na verdade, está escrito
que a cabeça coberta de cabelos
a maior parte das vezes
revela-se, quando a ocasião se apresenta calva.
No trono da Fortuna
sentei-me com orgulho
coroado com as flores variadas
da prosperidade.
Floresci então
feliz e abençoado
eis-me agora caído do cume
e privado de glória.
Gira roda da fortuna
eu desço e pereço
outro é levado para cima;
no cimo de tudo
senta-se o rei, no vértice:
ele que se guarde de cair!
E sob o eixo da roda lê-se:
Rainha Hécuba.
em homenagem ao ano de 1980
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