sábado, 14 de fevereiro de 2009

ai Galileu!

ai Galileu!
a pensar na descoberta
dos caminhos das galáxias
abraçaste o firmamento
a perfeição das estrelas
trouxeste novas do vento
doutras órbitas certezas
e abriste largas janelas

por um querer desmedido
viraste as costas ao medo
o mundo a fazer sentido
só à distância de um dedo
descentraste o infinito
sonhaste com planetas
noites de espanto num grito
luas, conquistas, cometas

ai Galileu!
mas nesta Terra tão pura
ainda matam a verdade
e fogem da lucidez
corre o sangue dos seus filhos
que não sabem a igualdade
que fazem a vida dura
e preferem a surdez

ai Galileu!
os que dizem "fim à guerra"
só procuram divisões
repartem-se teorias para dividir corações
e nem Vénus mostra aos homens
aquilo que não querem ver
que o Amor é tão raro
e a Vida para viver

ai Galileu!
não chega falar áqueles
que neste mundo repartem
a dor, a fome e o ódio
do amor pela verdade
porque é rara a compaixão
e o eixo do amor que faz do frio calor
só está dentro daqueles que te sentem como irmão

ai Galileu!
ignorantes da luz
que existe na escuridão
sem saudades das estrelas
sem a paz que lá reluz
na ganância sem perdão…
somos órfãos do Universo
que em verso cabe na mão

magari

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